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ARESTAS

ARESTAS

Posso entrar?

e...

às vezes procurei entrar

nunca

sempre muito vago

um mistério fabricado

depois passei à prova do

fazer

estar

volto sempre ao mesmo

então...

nada

nada a dizer

então…

 …

então…

fica pouco

não fica nada

a dizer

e a palavra saudade

não é

nunca foi minha

nunca a utilizei

mesmo no final das cartas à família longínqua

para quê?

de que serve?

só a disse pela primeira vez ...

... pensei ter percebido isso da saudade

 

mas fica

e permanece

... a maior lamúria

...a maior ilusão

 

tudo e nada

mas definitivamente nada

a não ser o facto de não ter tradução

o que lhe dá algum encantamento

um encantamento gasto

e

ainda bem que não tem tradução

porque é uma palavra inútil

 

 

Geometrias Roxas- As Romãs (3)

romas.jpg
Je ne les reconnais plus
Les grenades pourpres qui me peuplent
Parfois la beauté pourpre des grenades
Eclate au sommet
Elles ne me regardent pas
je les vois défiler en une pâle procession
de poussettes
Patiemment je leur répète les mêmes choses
Des mots invisibles
Des parfums de fleurs imparfaites
La grenadine
Aux lèvres
Elles ne me parlent pas
Je ne leur dis rien
A chaque pas fleurit un fruit vermeil
A chaque pas
Tombe une grenade
L'’erreur et la faute toujours
Répétées
Que savent elles de la beauté de leur bras chargé d’'autres fruits
De graines de grenades ?
Parfois la beauté pourpre des grenades
Éclate au sommet
Un regard demeure sans savoir
Une main jaillit sur une tête
Un cou
Une poitrine
Une hanche
Langueurs
Désirs
S'’inventent lentement
C’'est la pomme consommée
La tension curieuse
La limite
Des graines de grenades
Et parfois la beauté pourpre des grenades
Éclate aussi
au
sommet

Ao princípio

quaseprincipio.jpg
A romã
não me contes a viagem
não me contes o que viste
o que viste
não conta
como um todo em si
diz-me
o que há
e dizem que são flores
as romãs
e dizem que o corpo transpira
são
esporos repartidos
estilhaços no meu corpo nos vossos
reproduz-se
desfaz-se
des-faz-me o corpo
não hesites
na crueza da luz
não hesites
neste ponto aqui
tão escuro
o tempo da pele

Ainda Romãs

nossosdedosnaterra.JPG
Escavamos e enganamos todas as romãs
com as mãos na terra
também crescem romãs
afogam-se os dedos
todos no fim deste mundo
que nunca foi o de Courbet
há carnes
abertas

Geometrias roxas: as romãs(2)

composicao.JPG
Não importa que seja ósculo
Que seja beijo
Porém terá de ser
Desta cor
Por vezes a beleza roxa
das romãs estala
no cume
Foi quando viste esta romã de olho triste
Deu-te seu louro tecido de lã
Na mão aberta recolheu a lembrança do ágape
E um véu ligeiro
Pejado de céus procelosos
Porvir ainda
Mas levantaste o véu e
Foi a lágrima
que te interrogou
Guardaste dentro
O vestido de amante
Guardaste o sono na mão
Mas na rua crepitam os grãos roxos das romãs
Passam na manhã escura
Caminham pelas ruas
Electras, Antígonas, Helenas
Passaram e
Não souberam dizer nada do dia que não vinha
Não souberam dizer nada dos dias de ontem
Não tocaram por dentro
Nem olharam
Ofereceram saias tecidas de roxa lã
Ofereceram cabelos de Hermiones
Ainda por vezes a beleza roxa
das romãs estala
no cume

Mais agudez

Cópia de inverno 041.JPG
Na rua
mulheres de vestidos roxos
romãs de azedume
desfeitas contra o azul
Ainda a capa
ainda os Outonos esbanjados nas lamas
da Primavera
ainda o corpo que resiste
São "Majas" de braços cheios de roxidão
São laços corroídos nos lencóis.
Ainda roxas lentidões espalhadas nas peles da cama
São rostos repetidos pelas ruas
É a cor de romã vazia.
É a paciência limada nas antecâmaras das Penélopes despossuídas
Há mapas de corpos contorcidos na memória dos filhos
hirtos,
ainda
Por vezes a beleza roxa
das romãs estala
no cume
Por vezes, outras pedras sísifas esmagam a pele opulenta
Por vezes, desdenham soletrar as suas vestes de plantas aquáticas
com as mãos de uma oculta mecânica
estão ainda sentadas na rigidez dos bastidores
com a rouquidão exausta de voz
deslizam
desfazem-se
Fica a cor da romã roxa

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