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ARESTAS

ARESTAS

Livros: Manual de Resistência Civil (como se chega a desobedecer)

 

 

Uma pequena pérola editada em Abril 2014 pela Livraria Letra Livre

São 89 páginas com uma introdução intitulada «O direito de resistência» de que passo a transcrever apenas este trecho da página 13: « E o que é o direito de resistência? Digamos assim: sempre que a acção do poder polítcio ou da autoridade policial, com todos os seus especiosos instrumentos, viola, agride, revoga ou encerra os espaços de liberdade e de vida das pessoas, ou sempre que o poder político rejeita, como se fosse inevitável, economicamente inviável, a possibilidade de cosntrução de uma 'sociedade livre, justa e solidária', então, temos todos, individual ou colectivamente, o direito extremo de resistir a tais acções, comandos, ordens ou leis, e, se necessário, o direito de repelir pela força a opressão da autoridade pública.»

Nas páginas seguintes dedicadas a «Conselhos práticos sobre direitos que importam» são nos dadas dicas sobre:

- os direitos da pessoa perante a autoridade polícial

- o direito de manifestação

- o crime de desobediência

- o desencadeamento de processos-crime

- o crime de denegação de justiça

- o crime de abuso de poder

As últimas páginas dedicam-se à legítima defesa e ao direito de necessidade.

 

Um daqueles livros bons de ler, óptimo para encenar em oficinas práticas e para fazer umas cábulas a ter sempre no bolso!

 

 

 

Pensar o Museu um encontro em Serralves

O tema da primeira noite foi «O QUE PODEMOS ESPERAR DA ARTE NO SÉCULO XXI?». Hal Foster indicou logo que não era vidente...dividiu a sua apresentação em duas partes. A primeira intitulada Os contemporâneos deu-nos as palavras dos outros em torno das múltiplas perguntas que podem ler na imagem...

 

 

A seguir falou dos Precários...

Roteiro Imaginário 2- Uma viagem pela leitura

A personagem deambula pela cidade ao ritmo de um dos últimos dias de Julho.
Um único dia, como numa tragédia, um último domingo resplandecente de sol que acaba pela contemplação da noite e do luar, ao som de um acordeão tocando "São tão lindos os teus olhos". Um texto circular que poderia também começar e acabar em Azeitão. A história oscila entre o sonho e o real, as lembranças e o sobrenatural. Cada cena apresenta poucas personagens que se encontram num único palco: Lisboa. Unidade e concentração correspondem de forma rigorosa às oscilações do "inconsciente'. O autor textual tem o cuidado de fazer uma pequena nota introdutória que se assemelha a um prólogo. Desta forma, é-nos apresentada a personagem principal, explicado o titulo do romance e a língua privilegiada para a sua composição:

"En tout cas, je me suis rendu compte que je ne pouvais pas écrire un Requiem dans ma propre langue, mais qu'il me fallait user d'une langue différente, une langue qui soit un lieu d'affection et de réflexion."
Agrada-me a ideia de uma língua como lugar de afecto e de reflexão. Tem sido uma pergunta e uma preocupação muito íntima. Esta questão de afecto e reflexão relembra-me as palavras de E. Jabès quando dizia que a sua língua materna era uma língua estrangeira....
E J.Derrida quando escreve " je n'ai qu'une langue, ce n'est pas la mienne." Agora é tarde e a questão da língua afastou-me do roteiro!

Roteiro Imaginário 1- Uma viagem pela leitura -Notas de rodapé

Volto ao inicio do roteiro, porque há sempre algo mais a acrescentar, há sempre algo que não foi dito, mas que também não escapou. Escrevo como leio, vou e venho na escrita e na leitura. Revisito e emendo  a escrita e a leitura. É um processo sempre aberto, nunca acaba sempre começa.

Falei do “canto das sereias”, por causa de um livro de Maurice Blanchot, O livro por vir (publicado em português pela Relógio D’Água, 1984.) A primeira série de textos intitula-se precisamente:”O canto das sereias”.  

Neste ensaio, dividido em duas partes, uma intitulada ‘O encontro com o imaginário’ e a outra: ‘A experiência de Proust’, Maurice Blanchot trata da natureza do encontro com o canto das Sereias.

Para perceber o que era a natureza do encontro com o canto das Sereias, propus-me a ler, novamente, a Odisseia de Homero, na tradução portuguesa, feita por Frederico Lourenço e publicada pela editora Livros Cotovia, em 2003.

Voltando à epopeia, detive-me na profecia de Circe, no canto XII, página 200 do livro acima mencionado li o aviso de Circe a Ulisses:

 

“Às sereias chegarás em primeiro lugar, que todos

os homens enfeitiçam, que delas se aproximam.

Quem delas se acercar, insciente, e a sua voz ouvir das Sereias,

Ao lado desse homem nunca a mulher e os filhos

Estarão para se regozijarem com o seu regresso;

Mas as Sereias o enfeitiçam com seu límpido canto,

Sentadas num prado, e à sua volta estão amontoadas

Ossadas de homens decompostos e suas peles marcescentes.”

 

Fiquei impressionada com a descrição do canto límpido. Não é só a pureza do canto. Não é só a sua singularidade, pois é apenas um, apenas um canto, mas também o conhecimento associado ao canto e o feitiço que exercem as Sereias. Apercebi-me que para várias Sereias havia apenas um canto. Fiquei na dúvida quando me perguntei se eram as Sereias em si que enfeitiçavam os homens ou o seu canto ou ambos. Perguntei-me se era a falta do conhecimento da existência das Sereias e do seu canto ou o conteúdo do canto que eram perigosos ou ambos, pois o saber que elas proclamam é vasto e misterioso para o ser humano: ‘(...) sabemos todas as coisas(...)’ e este ‘todas as coisas’ tem um sigificado bem complexo no mundo grego.

 

O canto das Sereias, que podemos ler Canto XII, página 204, do mesmo livro, é o seguinte:

 

 

 

“(...) a rápida náu(...) não passou

despercebida às sereias, que entoaram o seu límpido canto:

 

                “Vem até nós, famoso Ulisses, glória maior dos Aqueus!

Pára a nau, para que nos possas ouvir! Pois nunca

Por nós passou nenhum homem na sua escura nau

Que não ouvisse primeiro o doce canto das nossas bocas;

Depois de se deleitar, prossegue caminho, já mais sabedor.

Pois nós sabemos todas as coisas que na ampla Tróia

Argivos e Troianos sofreram pela vontade dos deuses;

E sabemos todas as coisas que acontecerão na terra fértil.”

 

Novamente o canto é referido como sendo límpido e é com certeza nesta pureza que reside o aspecto não humano e a própria falha de que fala Maurice Blanchot. As sereias falam de doce canto que emana de suas bocas, falam em deleite inevitável.

Como sempre que leio Blanchot sinto-me tão próxima do alvo, tão perto do conhecimento de algo que me escapa num segundo.

Roteiro Imaginário 1- Uma viagem pela leitura

O “canto das sereias”, utilizando as palavras de Maurice Blanchot, que tanto atraiu Ulisses assim como o escritor, tal como ele aparece, por vezes, no nosso mundo de etiquetagem mágica, ofereceu ao leitor consentâneo um Roteiro Imaginário, uma intricada panóplia de percursos possíveis, rede de teias, fios de Ariadne que seguimos ao ritmo da leitura. Pouco importa se o corpo se deslocou, porque o espaço imaginário é aquele que se abre, que se faz e desfaz ao desenrolar o texto. É o espaço imutável e, todavia, sempre em movimento. É cada vez semelhante ao novelo mágico que Dédalo ofertou a Ariadne, e que ela deu a Teseu em troca de uma promessa. Semeando os olhos nas páginas, as viagens cumprem-se, paulatinamente, polvilhadas de leituras. Por esta razão, Claudio Magris, citando Giorgio Bergamini, na introdução que fez ao Bréviaire Méditerranéen, abre um caminho: “Mas hoje em dia, todo verdadeiro Ulisses deve, em vez de uma camisola de marinheiro, revestir um roupão, (...), e aventurar-se na sua biblioteca, tanto ou ainda mais do que por entre ilhas perdidas; o Ulisses contemporâneo deve ser um perito do afastamento do mito e do exílio da natureza, um explorador da ausência e da deserção da vida verdadeira.” Este leva nos a reconsiderar a leitura assim como a viagem. Indicando-nos a senda fastidiosa mas, que acaba sempre por ser exaltante, que vai da secretária à biblioteca do corredor, do quarto ou à biblioteca municipal. Por vezes percorremos quilómetros antes de sair de casa. Pelos "As" das narrativas, veremos de novo o Mali de Amadou Hampaté Bâ e sonharemos com uma viagem sobre o rio Niger de Tumbuctu a Bamako. Pelos "Bs", passamos de África para a América com J.L.Borges, omitindo as leituras mais remotas para o "encontro" mais recente com Alberto Manguel. Pelos "Cs" voltaremos para a Europa com Camus e a viagem do estrangeiro dentro de si mesmo...

Uma listagem evocadora da biblioteca das narrativas longas tornar-se-ia enfadonha, apesar de poder vir a ser uma viagem pelos níveis de leitura que, noutro contexto, alguns estudiosos do Talmud codificaram no acrónimo PaRDeS. Dieppe, Etretat, Veneza, São Francisco, Trieste, Atenas, Lisboa fazem parte do Roteiro Imaginário. Todas mergulham os pés na água. Todas apareceram num espaço de preferências como um pretexto... Um "pré-texto". Aliaram-se ao espaço imaginário para justificar uma deslocação. Mesmo assim, a trasladação pertence ao domínio da ficção, por ser demasiado literária, por ser excessivamente ligada ao texto, ao autor, a um conjunto de palavras e a uma leitura que por natureza virá a ser outra... Pouco importa se é um erro. Aquele que vai analisar o texto dispõe de um leque admirável de ferramentas astuciosas, de uma metalinguagem apropriada e imprescindível que passa pelos maiores nomes dos teóricos da literatura, sempre disponíveis nas prateleiras duma biblioteca bem apetrechada em literaturas. Mas é um pecado gostosíssimo, a mais suculenta das iguarias literárias. Justificaremos a viagem pelas leituras, pois esta também virá a ser um texto.

Perseguiremos a miopia de Monet desde a "Gare du Nord" para Dieppe, a pequena desprestigiada irmã de Etretat. Andar à volta também é necessário. Imaginar, nem muito longe, nem muito perto do verdadeiro, do autêntico espaço. Assim ainda se cria. Talvez se creia que se cria. Seguiremos desde a "Gare de Lyon" para Veneza, onde sonham fantasmas, pedras, poços, pombos e um velho corvo. Entraremos pela porta das traseiras, ou seja, a estação de comboios, para não sermos demasiado obedientes ao aviso de Gustav Aschenbach. Ao longo da costa do Mar Adriático, avistaremos o cenário de um texto de Pier Paolo Pasolini e seguiremos lendo o texto até Trieste, onde a linha dos caminhos de ferro parece acabar. Persistiremos em conviver com o desassossego de Bernardo Soares, durante as frescas noites diante da estação ou com os gatos que habitam no antigo teatro romano. Não podemos esquecer de alugar um quarto numa pensão da "Via San Nicolo", para reencontrarmos James Joyce em 1915, ano da sua única comédia. Foram, com certeza, os últimos momentos de Trieste. Logo, chegaremos à Acrópole de Atenas. Desde a "Gare d'Austerlitz" o destino é sempre para Lisboa, onde o Rio e o Mar se encontram num beijo prolongado, com Fernando Pessoa e Antonio Tabucchi.

Fora Dieppe para não ser Etretat, Veneza para não ser São Francisco, Trieste para não ser Lisboa. Todavia, acabaremos por chegar a Lisboa e seguiremos os passos do narrador de Requiem. (...)

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