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ARESTAS

ARESTAS

O que significa o dia 11 de fevereiro?Rectificação

   Não gosto de falar em termos de quem ganhou ou perdeu, porque no meu entender apenas o bom senso dos cidadãos portugueses, enquanto povo europeu, estava em questão e não havia derrota possível neste referendo apenas ganhos significativos.
     De um ponto de vista geral, temos que saber que este referendo de 11 de Fevereiro de 2007, assim como o referendo de 1998, não foram juridicamente vinculativos dada a participação ter sido inferior a 50%. Contudo há que notar a diferença nos resultados, pois o referendo de 11 de Fevereiro acaba por ter mais peso do que o de 1998. Gostava aqui de acrescentar algo que vem ao encontro dos discursos e comentários ouvidos após os resultados, pois a participação dos partidos políticos é contemplada pela constituição no artigo que concerne os referendos, cidadãos e partidos podem participar activamente e fico, de algum modo, contente pela participação dos partidos na divulgação, mobilização e motivação, porque não me parece que sem eles algo teria sido possível, basta consultar os dados da afluência da população às urnas para perceber.
    Felizmente, o nosso Primeiro-ministro, José Sócrates, antes dos resultados de 11 de Fevereiro avançou o que seria feito com o resultado, considerando que o Primeiro-ministro anunciou desde o início a sua opinião em favor do sim à despenalização da mulher, foi uma aposta terrivelmente arriscada, mas demonstrou a sua profunda crença no povo português. Por outro lado, o sim teve que enfrentar dificuldades significativas quanto à semântica e a deturpação de sentido da frase interrogativa colocada no boletim do referendo, onde a palavra despenalização foi frequentemente substituída por legalização, ora entre estas duas palavras há um mundo, os seus significados e as suas implicações são totalmente diferentes.
    Penso que agora foram lançadas as primeiras bases para poder modificar uma lei que não tinha fundamentos para ser aplicada, nem razões de ser face à posição adotada por Portugal junto da Comunidade Européia e da ONU e é um passo significativo em favor da mulher. Contudo não podemos esquecer que é agora que começa o verdadeiro trabalho e há muito trabalho a realizar.  
    No que concerne os resultados comparativos do concelho das Caldas da Rainha, apenas podemos dizer que, quanto ao número de inscritos, foram desta vez 40 258 inscritos, ou seja, mais 2706 do que em 1998, e foram 16 908 votantes, ou seja, mais 6609 votantes.O que podemos verificar é que o aumento do número de inscritos (2706) apesar de ser significativo não corresponde ao número de votantes de 2007, porque este é de 6609, logo significa que houve uma mobilização por parte dos cidadãos para o voto. Estes números são significativos porque refletem a preocupação da população em acabar com um problema com chagas abertas na sociedade portuguesa. Quanto aos resultados finais, desta vez, o sim, com 10 243 votos, ou 61,86%, isto é, 4168 votos a mais do que em 1998, e o não, com 6315 votos, ou 38,14%, isto é, 1778 a mais do que em 1998, verificamos que, tanto o não, como o sim, revelam ter tido maior número de votantes, contudo é notável que enquanto em 1998 a diferença entre o sim e o não era apenas de 1538, desta vez, a diferença é bem significativa 3928, logo houve de facto uma vontade de mudar algo e isto apenas vem confirmar o que deve ser feito na Assembleia da Republica. Ainda acerca dos resultados desejo realçar que em 4 freguesias (Santa Catarina, onde houve cerca de 42,8%votantes e onde a diferença entre o sim e o não é mínima, Alvorninha onde apenas 36,3% pessoas votaram, Vidais e Carvalhal Benfeito onde houve apenas 42% de participação) o não prevaleceu.
    Agora temos de nos dedicar ao mais importante, um trabalho de campo que deveria juntar todas as posições que se enfrentaram durante os debates de campanha pelo voto no referendo. Agora começa o verdadeiro trabalho construtivo se queremos verdadeiramente mudar as coisas que dizem respeito à mulher na sociedade, à sexualidade, à relação mulher-homem, à maternidade, ao aborto, ao corpo, aos corpos. A verdadeira labuta começa agora.
                                                                                                                                            Ana da Palma
                                                                                                                Cidadãos Caldenses pelo Sim.

(3) Dois a dois começando por...




(Masolino da Panicale, Adão e Eva no Éden, 1424-25)

continuação de (2) Dois a dois começando por...

ANDRÓMACA E HEITOR

O luto nos braços brancos sobre a crina dos cavalos de Heitor
Com as palavras de Pausanias, Eurípides, Racine, Katenine e a música de Caldara, Francesco di Feo, Anton Maria Gaspare Sacchini, André Ernest Modeste Grétry, Giovanni Paisielo e Camille Saint-Saëns vida continua.

VOTO SIM

As palavras importantes nesta pergunta:

DESPENALIZAÇÃO
OPÇÃO
MULHER

São de facto as únicas palavras mais importantes. Ora estas foram deturpadas conscientemente ou não durante toda a campanha.
DESPENALIZAÇÃO tornou-se liberalização, OPÇÃO tornou-se inconsciência /incompetência/ projecção de uma ideia preconcebida da capacidade da mulher para optar e MULHER...AI! MULHER foi tão pouco considerada e respeitada esta palavra e a palavra foi-lhe tão pouco concedida, sondada, esperada...Há de facto coisas para as quais a mulher precisa de tempo...mesmo se de forma geral ela fala muito...daí o termo a língua mãe, a língua materna...é significativo esta transmissão da palavra oral, não é por acaso!

As discussões estão gastas.
A única solução viável é SIM só SIM e mais nada!
Depois podemos discutir o corpo, o poder da mulher na sociedade dos homens, quando há vida, o peso da religião, quando isto ou aquilo...porque isto tudo é periférico, agora é periférico. Poderia ter sido assunto de debates, de conversas, de palestras antes...isto é a partir de 1998...poderia ter sido. Agora é tarde. Agora é SIM.
Quanto a mim, está claro, sempre esteve, há de facto vida no ventre de uma mulher quando ela sente que pode dar vida à vida, quando há Verbo possível. Só. Só isso!

(2)Dois a dois começando por...

(Tintoretto, c.1550)Adão e Eva

Continuação de (1) Dois a dois começando por...
Adão não emigrou. Decidiu que ia superintender.

Agora, continuando com Perseu e Andromeda, onde quase tudo já lá está
o cavalo
o monstro
a bela que o homem vai salvar
a união final junto de Cassiopeia no céu

Ácis e Galatéia ou a ninfa e o pastor
neste tempo ainda Polifemo não tinha sofrido a artimanha de Ninguém
e esmagou o amor
ficou a ninfa à beira do rio Ácio
o rio leva e lava tudo

Ulisses e Penélope ou o exercício de paciência

(1)Dois a dois começando por...

Adão e Eva de Rubens...
dois a dois
alternando culpas, poderes, lutas e
destinos

Adão e Eva... a partilha primordial. Para Twain, Adão estava cheio de fome. Mas, não se sabe bem, ou melhor, ainda não sabemos o que motivou a trinca fatídica. Há demasiadas versões a verificar entre informações possíveis, outras credíveis e ainda outras sem fundamento.

Orfeu e Eurídice... o olhar fatídico da perda

Caricleia e Teageno (?) a castidade fadigada sob a longa pena (?) de Heliodoro... nunca mais chega o momento dos corpos, ou está sempre a chegar?

Calisto e Melibeia onde o amor como procura da beleza ideal nasce cego no seio da corrupção

Chéreas e Callirhoé (?)encontros e desencontros com a mulher deslumbrante maltratada, querida, desejada, procurada, recuperada ... ao ritmo de guerras, lutas, conquistas...

Dafnis e Cloe, desta vez a identidade, as origens como reconhecimento de um amor

Filemão e Baucis ... ou o carvalho e a tília unidos
(...)
ainda não acabou

Pergunta do dia


(Hans Bellmer, La Poupée, 1934)
Os dias passam Expomo-nos Compadecemos Expomo-nos Explicamos o momento feliz da certeza Expomo-nos Sempre
A pergunta do dia “Uma mulher como vocês, é bonita, é inteligente...nunca pensou em tecer novos laços, refazer a vida com alguém?”
vida já feita nada a refazer refazemos a vida com alguém? Ou juntamos vidas?

CIDADÃOS CALDENSES PELO SIM

Dia 11 de Fevereiro de 2007, somos novamente consultados sobre um assunto delicado que põe em causa questões morais, sociais, filosóficas, éticas e religiosas. Contudo, face a uma situação insustentável, cujas mágoas e feridas na sociedade estão à vista, a única e melhor solução, enquanto não estão largamente implementadas estruturas sólidas e construtivas (apoios, informação, planeamento, divulgação, etc.), é, sem alguma dúvida, despenalizar as mulheres que optam por, após tergiversar, hesitar, analisar todos os dados (sentimentos, objectivos e condições) pôr fim a uma gravidez não desejada.

O corpo da mulher ainda é o lugar de discursos controversos, enquanto deveria ser lugar de partilha, troca e conhecimento. Sabemos o peso do corpo e de tudo o que lhe está relacionado na nossa sociedade. Sabemos a vergonha e o pudor que sentimos quando falamos do nosso corpo, das mudanças, dos desejos, da passagem do tempo, das modificações e manifestações. As mulheres vivem ao ritmo mais ou menos regular das hormonas, agentes invisíveis com efeitos visíveis que sempre foram considerados como algo estranho, mas sempre sem o valor que verdadeiramente têm.

As mulheres vivem o seu corpo enquanto mulheres com todo o peso que isto implica a nível social, moral, ético e religioso.

A decisão de não levar a cabo uma gravidez foi desde sempre resolvida pelas mulheres, independentemente, de ser ou não um acto condenado pela lei dos homens, elas sempre decidiram por si em momentos de intenso desespero fazer o que achavam correcto para o futuro.

A interrupção de uma gravidez não desejada foi e é desde os tempos mais antigos uma realidade da vida da mulher, pois independentemente de ser ou não permitida pela lei sempre foi praticada simplesmente porque há concepções desejadas e outras não, sendo estas acidentais, impostas, etc.

Não podemos permitir que as nossas mulheres portuguesas, jovens e mães, ponham em risco a sua vida por causa de uma lei que acaba por não ter consistência no seio da sociedade comunitária em que vivemos.

Não podemos permitir e pactuar com o maior desespero daquelas mães adultas, jovens e menores, incapazes de lidar com uma gravidez, sem recursos e apoios de todo o tipo, incapazes de ir ao encontro das necessidades de um recém-nascido, simplesmente porque não estão preparadas, e porque ter uma criança nestas circunstancias pode vir a ser mais um daqueles casos de desespero, de maus tratos e de desprezo tão aliciante para a nossa sociedade de consumo aborrecida pelo quotidiano e ávida de sensações.

                        Não se trata, neste referendo, de ser a favor de um acto, nem de pôr em questão crenças, mas sim de uma escolha que não deve constituir crime.Trata-se de permitir que as mulheres que fizeram a sua escolha conscientemente, sabendo os riscos, porque existem sempre riscos, sabendo as dores, porque existem dores profundas insuspeitáveis e invisíveis, não sejam condenadas pela lei por um acto que concerne o seu corpo.

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