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ARESTAS

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Uma exposição, uma tarde...Museu de Cerâmica

“No mundo existem quatro seres pequeninos que são mais sábios do que os sábios: as formigas(...), as ratazanas(...), os gafanhotos(...), as lagartixas, que se podem apanhar com a mão, mas que penetram até em palácios de reis”(Provérbios, 30-24)
Uma tarde azul despovoada de nuvens, entrei no Museu de Cerâmica para ver a exposição Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro. À entrada, o doce odor duma mimosa saudou-me com as suas flores amarelas. É uma delicia entrar num museu pelo seu jardim! É um jardim fechado, quase semelhante à representação que teríamos do jardim do esposo, do jardim de Alkinoos descrito por Ulisses na Odisseia, do horto de amores ou ainda, simplesmente, do jardim secreto e misterioso da nossa infância. É mesmo assim, os jardins nascem desta tensão das artes entre elas...como o Horto de Camões em Constância, a arte do jardim está no limite da representação, encontra-se entre a imagem e a palavra. No Museu de Cerâmica, a arte inserida entre rochas, musgos e plantas convoca a natureza. Depois do passeio pelo jardim, entrei na exposição. Ao rever as fotografias de Manuel Gustavo, lembrei-me de um pequeno texto que me passou pelas mãos e que falava de uma noite de carnaval, num teatro de Lisboa. Nesse teatro, escondido atrás de um pilar, estava Rafael Bordalo Pinheiro a espreitar, para ver o Manuel Gustavo a rir. Se foi verdade ou ficção, esta historieta apenas indicia uma relação de extrema ternura e pudor entre os dois homens. Continuei o percurso. No caminho traçado pela exposição, três objectos capturaram o meu olhar. Numa das salas, há uma jarra libelinha de forma cónica, afunilada na parte superior, com um motivo decorativo em relevo na parte inferior. No relevo, em último plano, cinco ramos de erva emergem entre o azul claro e a cor escura da jarra. Na parte inferior, uma flor branca de nenúfar aberta e no meio uma libélula fixada no seu voo ascendente. Esta composição tão equilibrada, que evoca três espaços, a terra, a água e o ar, relembrou-me algumas composições de arte japonesa. Depois, permaneci uns momentos diante da jarra de forma tronco-cónica, com um friso de patos a levantar voo, junto à boca, quase a sair da jarra e na base apenas um friso de folhas de trevo, cuja dimensão imprime segurança e firmeza à jarra. A seguir, deliciei-me com a cabaça branca envolvida por um lagarto enorme e verde. A cauda e patas bicudas contrastam com o volume arredondado e generoso da cabaça branca e pura. O lagarto solar, amigo do homem e da razão, está aqui envolvendo a nudez e a feminidade... ‘mais sábio do que os sábios’!

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