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ARESTAS

ARESTAS

Uma tarde com árvores...Mirobolano, ameixoeira-de-jardim ou Azereiro?

no espelho quebrado2.JPG Tantas possibilidades entre ameixas, ameixoas, ameixeira, ameixoeira, ameixieira. O português tem estas variantes em palavras de certos campos semânticos que levam a uma certa confusão. Há que escolher e ser consistente! Optei pela palavra que se aproximava mais da árvore que identifiquei e que vem descrita no livro que mencionei há três semanas. Passou o tempo das flores róseas pálidas, com pétalas ligeiras a desprenderem-se ao ritmo do vento primaveril e fértil! O vento ainda espalha algumas sementes e por vezes temos surpresas que germinaram, secretamente, no nosso jardim. Podeis perceber o que desejais, pois nada é inocente e os vocábulos “semente” e “jardim” carregam um mundo de significados e representações. É no espelho quebrado que vi as ameixoas arredondar-se. Pequenas, elípticas e rubras quando tocadas pelos raios de luz do sol. Provei impaciente como as crianças. Engoli uma parte e cuspi o resto no lenço de papel. Amarga! Antes mesmo de colher sabia que seria amarga, pois ainda não chegou o tempo das ameixoas, como também ainda não é o tempo das cerejas, mas mesmo assim um antigo refrão de uma canção sobre cerejas, melros e amores sobe aos meus lábios e acompanha este tempo primaveril. No espelho, vejo-me a comer os frutos verdes da infância. Porque será que os frutos sabem melhor verdes quando somos crianças? A explicação deve de ser mais complexa do que a simples impressão de sermos os primeiros! Os guardas do Parque D.Carlos I dizem que antes de estarem completamente maduros, os frutos desaparecem todos. Entre as crianças e os pássaros vemos passar o tempo, o mesmo tempo fugidio no espelho. Como devem ser boas as ameixoas que crescem à beira do lago! Sumarentas e globulosas! É bom saber, no espelho da água, que são mesmo boas, ligeiramente, aciduladas como todas as ameixoas. Provei o fruto verde e quase perdi todo o desejo de provar o fruto maduro! Do outro lado do espelho agora, são numerosas estas árvores de folhas encarnadas e de copas redondas. A família dos Prunus é vasta e abrange árvores desde o pessegueiro, damasqueiro, ameixoeira, abrunheiro, ameixieira, cerejeira, ginjeira, amendoeira, azereiro até ao loureiro-cerejo. Todos Prunus respectivamente e por ordem: P.Persica, P.Armeniaca, P.Cerasifera, P.Spinosa, P.Domestica, P. Avium, P.Cerasus, P.Dulcis, P. Lusitanica e P.Laurocerasus. Hesitei, longamente, entre o Prunus Cerasifera e o Prunus Lusitanica, o único índicio que me permitiu optar pelo primeiro foi o momento da floração, assim como a descrição das flores e do tronco de cada espécie. O Prunus Cerasifera floresce em Março e o Prunus Lusitanica em Junho, logo estas árvores devem de ser a ameixoeira originária da Península Balcânica e da Crimeia e não da Lusitânia. Invariávelmente, todos os anos, quando aparecem as primeiras flores nos ramos nus, quase secos, e quando penso nesta árvore, convoco, mentalmente, uns poemas japoneses, muito simples, muito sucintos e evocadores, poemas de apenas três linhas, mas com a dimensão de uma imagem, como este haikai de Basho que vou tentar traduzir do francês: “acompanhando o perfume das ameixoeiras surge o sol no trilho de montanha” Chama-se sinestesia a aliança de sensações nos textos literários, aqui por exemplo, o olfacto e a visão produzem uma sensação de frescura quase palpável! (Gazeta das Caldas,6-05-05)

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