Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

ARESTAS

ARESTAS

Uma tarde com...duas ou três coisas sérias?

“A história do homem é feita de conflitos e da resolução de conflitos”
( José Manuel Barroso)


Há cerca de duas semanas, teve lugar, em Óbidos, a última sessão da “Primeira Convenção Resolução Alternativa de Litígios”. Um encontro privado com janela aberta sobre o público, tal como ele tem vindo a ser amestrado e domesticado, com distribuição de lápis e dossier, que, hoje em dia, autentificam a validade de qualquer encontro. A parte a que fui assistir devia de tratar de “Conflitos Internacionais”. O encontro teve lugar no Santuário do Senhor Jesus da Pedra, um santuário barroco, um espaço bonito e apropriado para assinar protocolos, mas pouco adequado para conferências, palestras e debates. A acústica fez com que tivesse que esforçar de forma quase dolorosa os ouvidos, mas quem sabe talvez fosse propositado e o que era para ser dito, não era para ser ouvido ou percebido. A meu lado, uma senhora estrangeira (?) não parecia estar incomodada por não conseguir nem ouvir perfeitamente, nem perceber, apenas ostentava um sorriso de circunstância e murmurava de vez em quando palavras, com entoação estrangeira, ao ouvido da pessoa sentada a seu lado. Esta sessão, que devia de começar às 16:30, apenas começou cerca de uma hora mais tarde e, como era de esperar, com ainda alguns retardatários a chegarem acompanhados ao som, ecoando entre as paredes revestidas de santos com os seus atributos - e não como foi dito por um dos oradores, por bispos e cardeais - dos sapatos de salto alto de uma bonita rapariga. Sim, mesmo lindas as raparigas, algumas vestidas de forma a evocar trajes tradicionais de que alguns eram inidentificáveis. Telefones tocaram. Muita gente conversou durante as comunicações tornando ainda mais difícil a compreensão do que estava a ser dito pelos ilustres comunicadores. Parece-me que há assuntos sérios que devem ser tratados com o maior rigor e não só com toda a formalidade da postura e da indumentária que a situação exige.
Quando penso na resolução de conflitos, por deformação de formação, penso na língua, na linguagem e a cultura. Pouco tempo antes da Rigoberta Menchú Tum receber o Prémio Nobel da Paz (1992), lembro-me que um guerrilheiro guatemalteca, uma tarde, num café do centro da capital do México, chegou a saber argumentar e a legitimar a luta armada, contudo desejo ainda acreditar que a palavra tem mais poder que as armas, o que vem ao encontro do que foi dito outrora e que é globalmente utilizado: “The pen is mightier than the sword”. Mesmo assim, é difícil falar das coisas que nos tocam com lucidez, extrema clareza e integridade. É difícil saber escolher as palavras exactas, assim como é, por vezes, difícil saber distinguir entre interesses pessoais e gerais, quando há demasiados interesses em jogo. É difícil ter a certeza que o que se decide, em determinado momento, é o que está certo para uma dada situação e depois ter a força de assumir o peso da decisão orquestrando divergências e situações imprevistas.
Por vezes não consigo saber se me faltam elementos ou se sou mesmo demasiado exigente. Pensei - na minha mente de que alguns dizem que é afrancesada - que haveria maior rigor no horário, na apresentação e na forma, maior substância a debater no conteúdo das comunicações e um espaço dado ao público que não podia estar presente apenas para enfeitar! E ainda...a língua! Sim! Como participar num encontro sobre conflitos internacionais sem falar e perceber perfeitamente mais alguma outra língua sem ser a própria, pelo menos só mais uma, entre as mais frequentes, neste tipo de encontro, como o inglês ou o francês! Uma parte da resolução dos conflitos passa pelo uso de uma língua e de uma linguagem apropriada...não pode haver erros. O uso dos vocábulos de uma língua deve ser bem escolhido e exacto para que nenhum mal entendido possa ficar por ser resolvido!

Ana da Palma

Links

ALTER

AMICI

ARGIA

BIBLIOTECAS

EDUCAÇÂO

ITEM SPECTO

VÁRIOS

Sapatos, Figas e Pedras

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2006
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2005
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2004
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D