Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

ARESTAS

ARESTAS

Uma tarde...com água (3) As termas

“Guardaste alguma ideia de Roma, cara Lou? Como é na tua memória? Na minha, não haverá um dia em que essas águas, as águas límpidas, preciosas e animadas, que vivem nas praças, essas escadas, construídas à semelhança de cascatas que de modo tão estranho fazem de um degrau outro degrau e de uma onda outra onda...” (R.M.Rilke) Em Roma, foram construídas termas cada vez mais magnificentes, com planos arquitectónicos simétricos, como as termas de Caracalla. Assim podemos imaginar o romano que, depois do seu trabalho quotidiano, chegava às termas por volta das quatro horas da tarde e ali permanecia até à hora de jantar, a conversar ou a descansar. Também podia ficar até muito mais tarde, pois as termas ficavam abertas até ao crepúsculo. No Inverno, o local era quente e acolhedor, no Verão era fresco e agradável. Algumas termas mais luxuosas tinham uma biblioteca e salas de conferências. O sinal de abertura era dado por um gongo. Já os fornos estavam quentes. Começavam a aquecê-los ao meio-dia. Por baixo dos banhos fazia-se um verdadeiro trabalho de formiga. A mais tardia estrutura das termas era suspensa, os romanos chamavam-lhe: “suspensura”. Este sistema foi atribuído a C. Sergius Orata. Era nesse inferno que trabalhavam os escravos. De fronte do forno, estava uma sala que se chamava: “praefurnium”, onde se encontrava o escravo que tinha a tarefa de alimentar o lume com carvão, cujo nome tinha origens gregas: “ hypocausis”, dando deste modo o nome ao forno: “hypocauste”. Numa das paredes havia um tubo, o “vaporium” que conduzia o ar quente até ao pavimento, às abóbadas, às paredes do “caldarium”, do “laconium” e do “tepidarium” onde chegava menos quente. O calor difundia-se pelos “parietes tubulati”. Eis então como começava o percurso iniciático. O vapor, o calor e a atmosfera muitas vezes propícia à sensualidade espalhava-se. Uma vez no “apodyterium”, os banhistas despiam-se. Conta-se que, por volta do século II, o romano era relativamente pudico e guardava o “subligamentum” para tomar banho. Mais tarde, quando a influência grega se fez sentir, já não se importava de entrar nu no “tepidarium”. Sentava-se nos bancos de pedra. Preparava a empola de óleo, a “strigula”, pequeno instrumento em ferro para raspar o óleo perfumado da pele, a toalha para o corpo: “lintea sabana”, a toalha para o rosto: “ lintea faciale”, a toalha para os pés: “lintea pedale” e, deixava a sua roupa nos nichos feitos na parede à altura da cabeça. Os banhistas mais ricos deixavam-na ao cuidado de um escravo, os outros ao cuidado do “balneator” ou do “capsarius”. Já o vapor invadia as salas, este ambiente de quente penumbra esperava os corpos. Uma vez despido, permanecia um tempo no “tepidarium”, local onde a temperatura era entre 25 e 30 ºC., com uma humidade de 20 a 40%, a conversar com amigos. Acostumava-se gradualmente ao calor. Depois, passava para o “laconium”, de calor seco ou para o “sudatorium”de calor húmido. Uma vez que o corpo estava ambientado a estas temperaturas, podia ir para o “caldarium”, onde a temperatura era de 50º C. e a humidade de 80%. Aqui já não falava muito. Suava e lavava-se ao som da água. Pois, havia no “caldarium” uma banheira: o “alveus”, onde a água estava em permanência a 40 ºC. Esta era larga de dois metros e permitia a 10 a 12 pessoas de se sentar e de permanecer um tempo, até o calor ser demasiado. Era neste local que se lavava com soda: “aphronitum” ou que raspava o óleo que tinha aplicado no corpo durante o dia, com a “strigula”. Para poder aliviar-se, momentaneamente, do calor, havia num canto do quarto uma abside, onde a água fria corria continuamente, enchendo o local do agradável e evocativo ruído da água que se espalhava...Depois ia mergulhar na piscina de água fria ao ar livre e nadar. Nos dias soalheiros, tomava-se banhos de sol no “solarium”. O fim da tarde passava-se neste ambiente conversando, comendo e tomando banhos repetidos. Coisas simples integradas na vida quotidiana. (Gazeta das Caldas, 15/07/05)

Links

ALTER

AMICI

ARGIA

BIBLIOTECAS

EDUCAÇÂO

ITEM SPECTO

VÁRIOS

Sapatos, Figas e Pedras

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2006
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2005
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2004
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D