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ARESTAS

ARESTAS

Várias exposições, muitas tardes...Rafael Bordalo Pinheiro artes gráficas e cerâmicas

A última vez que estive em Paris, entrei, por mero acaso, no pátio de uma das faculdades de medicina da “rue des Écoles”, onde havia uma exposição elaborada e apresentada com recurso a toda a arte da tecnologia que impediu a minha adesão ao projecto expositivo. Era tanta a informação dada através de uma série de paneis, de reproduções, de ecrãs, de botões e de ratos que a ânsia e a dispersão me invadiram. A interacção era tão exagerada que acabei por passear pelo pátio onde presidia, num canto, uma estátua adequada para o espaço de uma faculdade de medicina. Pensei (os mecanismos da memória e da criação de elos e laços são complexos!) na primeira exposição que vi de Tinguely no Centro Georges Pompidou. Era igualmente uma exposição interactiva. Podíamos durante o percurso expositivo, tocar, brincar, movimentar as peças. A grande vantagem foi que a interacção adquiriu uma componente didáctica naturalmente. O conteúdo da exposição não importava. Não havia senão as cores e a luz criadas em torno de peças de grandes dimensões e outras mais pequenas. Eram construções de brincadeiras evocando, de certo modo, uma série de processos e formas artísticas, mas aprendi mais do que em qualquer outra exposição do mesmo género. Aquelas onde a informação é tanta e tanta a aliança interactiva no percurso expositivo que se torna enfadonho, que se transforma num elemento de distracção pouco produtivo e benéfico a nível da transmissão de informação. Dir-me-ão, que exagero! Agora que podemos beneficiar de tanta técnica e tecnologia! Que presunção! Que desejas tu, visitante preguiçosa, perniciosa e viciosa! Ou tudo ou nada!? Não, nem isto, nem aquilo, mas simplesmente contenção e respeito pela minha fraca e frágil capacidade de assimilação. Quando a informação é abundante e selvagem, a primeira manifestação fisiológica é um imenso vazio no estômago, uma vontade irremediável de comer qualquer coisa, pouco importa o quê e, no fundo, nem sei bem o quê! Quando a vontade educativa/didáctica dos comissários excede o meu poder ou capacidade de absorção, fico, também, com sede, uma sede insustentável! Resisto sempre educadamente, mas, dificilmente, domino a vontade maior de fugir para o bar do museu, ou a esplanada de outro bar qualquer e indolentemente beneficiar da languidez e do repouso tranquilos, sossegados e voluptuosos que propiciam uma água natural sem gás e um café com açúcar. Deslocar-se para ir ver uma exposição, um filme, uma peça de teatro, em suma um “projecto cultural”corresponde à vontade de estar em estado de alerta, sempre à procura de qualquer coisa que estimule outra coisa, não se trata de um esforço simples, é um esforço elaborado e que requer o devido reconhecimento por parte da entidade que organiza o “encontro cultural”. Desejo, simplesmente, o direito de poder desfrutar, aprender e apreciar sem que me digam qual é o caminho todo, basta orientar-me leve e subtilmente, que me dêem um espaço para a minha aprendizagem, para o meu conhecimento e reconhecimento das coisas! Que não me ditem o que se deve saber, basta-me o que eu desejo saber e o que pode permanecer na minha mente pequenina! Dêem-me coisas apresentadas sem artífice, prefiro! As exposições sobre Rafael Bordalo Pinheiro sucedem-se. A que se encontra no Museu do Hospital de que falarei noutra altura, posto que está patente ao público até Outubro, precisamente porque apresenta uma grande quantidade de material que requer tempo e dedicação, revela um percurso expositivo extremamente sensível e apropriado na recolha e selecção do material que traça uma parte da História das Caldas. A que está patente ao público no Museu de Cerâmica, de que falarei igualmente noutra altura de forma mais pormenorizada, tem a característica particular de acrescentar ao acervo exposto as novas tecnologias de media e acessibilidade, criando condições propícias a uma maior visibilidade, com uma grande componente didáctica, o que é louvável, contudo o aparato excede o conteúdo e cria-se uma distância entre o espectador e o material exposto, que só pode ser preenchida através de várias visitas. As reproduções fotográficas não resistiram ao grão, aos pontos ou píxels que se assemelham às obras dos “pontilhistas”, mas com um efeito menos prodigioso. A exposição inaugurada a semana passada no Museu João Fragoso apresenta peças lindíssimas e exuberantes como o lagarto gigante, mas além das peças de cerâmica que são de uma luminosidade e brilho perfeitos, uma atenção especial deve de ser dada aos moldes, posto que é a esta parte técnica do “fazer” que a exposição se dedica. (Gazeta das Caldas,22/07/05)

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