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ARESTAS

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Uma tarde com árvores... O plátano e a Floresta Eólica

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São muitos os plátanos no parque, na mata, nas ruas e à beira das estradas. Parece ser uma daquelas árvores mais plantadas, talvez por ser resistente, por nos transmitir aquele sentimento de que se preocupam com as coisas da terra, dado a sua inclinação. Desesperadamente à procura de luz, abrem um espaço que desde logo lhes pertence. Árvores de alamedas perfeitas, seguras e robustas acompanham os caminhos dos homens. Uma árvore que o homem pode moldar com formas específicas, deixando-as crescer ou cortando-as por cima tornando o seu tronco robusto, enorme, pesado. O nome está quase inapropriado à árvore. Mas o que será que diz o meu livro? Da família dos Platanaceae, apenas três aparecem: O Platanus L., o Platanus orientalis L. E o Platanus x hispanica, mas parece que há também o Platanus ocidentalis. Há pouco a dizer do plátano, pois é, principalmente, uma árvore ornamental. Não há notícias sobre a sua utilização na fitoterapia. Tem uma casca característica que se assemelha a crostas de feridas e deve de ser por essa razão que retirar a casca dos troncos propicia um certo prazer às crianças. As suas folhas são características, pois têm três pontas e no Outono ficam com umas belas cores que vão do amarelo, da cor de laranja ao castanho. Mas é no Inverno que esta árvore dá trabalho, quando sopra o vento entre os troncos nus e os jardineiros tentam, desesperadamente, amontoar as folhas, que sempre se dispersam ou são dispersas pelas crianças que gostam de ouvir o som dos pés a amachucar as folhas como se fossem tantas folhas de papel. São estes os prazeres desta árvore: a casca e as suas folhas caídas no Inverno. Os plátanos plantados em linha na mata impressionam, pois alinhadas as árvores parecem perder um pouco do seu poder. À beira dos caminhos ou das estradas, como a chamada “Estrada da Foz”, são belos os seus túneis estivais, os seus troncos inclinados que evocam uma certa tristeza, novamente, a árvore liga a terra e o céu pela sua doce curva, preocupadas com os homens, parecem querer murmurar um segredo. Os segredos das árvores permanecem nas suas ramagens, que acolhem os estivantes entontecidos de sol, residem no arco, que envolve o olhar do homem, e escondem-se nas suas copas irregulares ou arredondadas conforme o tipo de plátano. Há tempos pensei na beleza natural, isto é a beleza que é bela por si apenas, intocada pela mão do homem, ou quase, porque uma árvore ganha formas com as podas, mesmo assim permanece com uma centelha de imprevisibilidade, é isso a sua beleza natural. Quando vi as ventoinhas para a produção de energia eólica, pensei numa floresta, também, e saber a sua função fez com que estes pilares brancos encabeçados por umas asas quase desproporcionadas me parecessem belos. A beleza que atingiram estava não tanto no objecto em si, mas na ideia que um tal objecto poderia vir a fazer uma diferença significativa na vida dos homens que virão, pois para nós o tempo já passou, já nos ultrapassou, mas saber que, pelo menos, os que estão ainda por vir terão nestas florestas metálicas um vestígio da nossa busca e da nossa preocupação. Normalmente, o belo natural desempenha uma função quase invisível ou pelo menos esquecida dos homens, enquanto que o belo artístico não teria, a priori, que ter alguma função a não ser servir um prazer estético puro, isto é um prazer apenas, e por ser um prazer absoluto acaba por ser extremamente complexo. Podemos contudo prestar beleza a coisas ou objectos que à partida não foram concebidos para terem uma função estética como à floresta eólica! (Ana da Palma, Gazeta das Caldas, 19/08/05)

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