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ARESTAS

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Apontamentos sobre Arquitectura e Sociedade (2)

FREITAG, Michel (2004: 15-22). Arquitectura e sociedade. Lisboa: Publicações Dom Quixote.


O capítulo intitula-se «sobre a natureza antropológica da arquitectura» e o autor começa por referir três pontos que definem a arquitectura na sociedade e que remontam a Vitrúvio: «a construção, a utilidade/funcionalidade e a beleza»(2004: 15). Aproveito para relembrar o que alguns autores disseram da arquitectura:

Plotino: «O que é a arquitectura? É o que resta do edifício, uma vez retirada a pedra.»; Schelling:«A arquitectura é a alegoria da arte de construir.» e Le Corbusier: « A construção é feita para aguentar, a arquitectura para comover.».

Depois de nos dar uma breve explicação, Freitag, indica que « Estes três aspectos pertencem decerto à definição de arquitectura, mas nem por isso representam, contudo, antropologicamente, a sua natureza essencial.»(2004: 15).


Obviamente que esta natureza essencial se relaciona com o ser humano inserido na sociedade, um vocábulo que nos projecta para meandros complexos e em movimento, e, genericamente, para espaços diferentes (cidades, subúrbios, vilas, aldeias, campo), mas o autor afina o seu pensamento remetendo-nos para uma «síntese superior entre a sociedade e a natureza». O autor constata a falta de harmonia entre o «mundo social» e o «mundo natural» de uma forma geral sem nos situar em determinado espaço e implicando, quase por defeito, a nossa concepção da arquitectura no âmbito da cidade. Se pensarmos na arquitectura e na cidade, de forma geral, a questão da natureza tem sido esquecida ao longo dos tempos pelos seus habitantes. Estou a pensar em algumas cidades que conheço bem como Paris, Lisboa, Nova Iorque, sendo que São Francisco ou Porto são para mim casos à parte entre outros. Quanto à arquitectura em espaços rurais ou em pleno campo, já é algo mais complexo envolvendo tanto a harmonia como a devastação. Mas voltando às palavras do autor, somos levados por outros caminhos, aqueles que convocam imagens de espaços de vida, tal como «um jardim bem abrigado por de trás dos seus muros revestidos de vinha-virgem do outro Aldo de um gradeamento» (2004: 16)

Então o autor, começando por um dos três pontos mencionados, neste caso, «a construção», questiona a expectativa que formamos da arquitectura à luz das imagens de espaços de vida e indica que: « A arquitectura começa por ‘dar um lugar’, começa por construir um espaço como espaço propriamente humano, espaço reservado das relações sociais que põe à distância a natureza estranha, e que, no mesmo lance, através dessa distância modulada estabelece a relação dos homens com um mundo apropriado e objectivado. (...)  O objecto original da arquitectura é, portanto, o da construção do espaço socializado, apropriado pelo homem.»(2004: 17) Partindo daqui passamos para algo quase tenebroso que, ao convocar o predomínio da ordem humana sobre o resto do mundo, chama a arquitectura como instrumento para tornar visível os poderes do ser humano.


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