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ARESTAS

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Apontamentos sobre «Os anarquistas julgam Marx» (6)

O texto intitulado «O Jovem Marx e os patinhos feios» de Jean Barrué, baseia-se no percurso biográfico e bibliográfico de Marx ilustrado por excertos extremamente assustadores, porque revelam a afirmação de uma ideologia imperialista, colonialista e genocida. Marx considera o «pequeno povo» irrelevante face ao progresso da civilização. *[veja-se o artigo, na Nova Gazeta Renana, de 10 de Setembro de 1948 contra os dinamarqueses; o artigo de 18 de Junho de 1948, intitulado «A insurreição de Praga» contra os checos; de 13 de Janeiro de 1949, na «luta dos magiares» contra os eslavos; o artigo de 15 de Fevereiro de 1949, intitulado «o pan-eslavismo democrático» contra os eslavos, mas também os checos, eslovenos, croatas e todos os povos que «constituem um obstáculo á hegemonia dos alemães e dos magiares; o artigo de 16 de Fevereiro (segunda parte do artigo prévio) Marx «faz apologia do genocídio em nome do terrorismo revolucionário»; e o artigo de Maio 1849 da Nova Gazeta Renana, apelando à guerra.]*

 

O autor conclui:

 

«O ensinamento que um anarquista pode extrair da lembrança desse passado longínquo é a perigosa loucura de querer prender a humanidade numa jaula de ferro de um sistema pré-estabelecido e impor-lhe a autoridade de uma teoria assentada no sonho delirante de um pensador persuadido de sua infalibilidade. Marx não foi um homem de acção, ele nunca pôs em prática o genocídio e o esmagamento dos países «atrasados». Ele não cometeu «crimes contra ahumanidade», foi apenas seu instigador, e outros souberam se aproveita desse ensinamento - e às vezes desnaturando-o e caricaturizando-o - e deram ao humanismo realista de Marx sua forma moderna.»

 

*Alguns excertos complementares*

 

Nova Gazeta Renana, artigo de 10 de Setembro de 1948:

«Os dinamarqueses são um povo que depende totalmente da Alemanha em todos os campos: comercial, industrial, político, literário. É sabido que a capital real da Dinamarca não é Copenhaga mas Hamburgo, e que a Dinamarca tira da Alemanha todas as suas fontes literárias, tanto quanto as materiais; enfim, que a literatura dinamarquesa nada mais é que uma cópia grosseira - excepção feita de Holberg - da literatura alemã (...) O escandinavismo é o entusiasmo por esta raça brutal e imunda dos piratas nórdicos, por estas profundezas da alma que não podem exprimir seu pensamento e seus sentimentos exaltados em palavras, só em actos (...) Não se pode negar que os dinamarqueses são um povo semicivilizado. Infelizes dinamarqueses! Usando do mesmo direito que os franceses quando se apoderaram de Flandres, da Lorena e da Alsácia ou quando se apoderarem, cedo ou tarde, da Bélgica; a Alemanha se apoderará do Schleswig: com o direito da civilização contra a barbárie, do progresso contra o imobilismo, e ainda que os tratados estejam a favor da Dinamarca, - o que é ainda duvidoso - este direito valeria mais que todos os tratados, pois é o direito da evolução histórica.»

 

 

Artigo de 13 de Janeiro de 1949, intitulado «Luta dos magiares»:

«Não há um país na Europa que não abrigue em algum recanto, um ou vários restos de povos, resíduos de velhas populações que foram repelidas e subjugadas pela nação que se tornou mais tarde o factor de evolução histórica. Estes restos de nações desapiedadamenteesmagadas - como diz Hegel - pela marcha da história, estes detritos de povos são e permanecerão até seu total aniquilamento e sua desnacionalização, os sustentáculos fanáticos da contra-revolução: toda sua existência já não é um desafio à grande revolução histórica? Tais são na Escócia os gaélicos, na França os bretões, na Espanha os bascos, e na Áustria os eslavos do sul, pan-eslavistas que nada mais são do que detrito de povos resultando de uma revolução extremamente confusa.(...)

A próxima guerra mundial fará desaparecer da superfície do globo as classes e as dinastias reaccionárias, bem como a totalidade dos povos reaccionários e será um progresso.»


Artigo de 15 de Fevereiro de 1949, intitulado «o paneslavismo democrático»:

« Justiça, humanidade, liberdade, igualdade, fraternidade, independência: nada mais encontramos no manifesto pan-eslavista além destas categorias mais ou menos morais que, é certo, soam bem, mas não têm nenhum sentido no campo histórico e político (...)Os Estados Unidos e o México são dois povos soberanos, duas repúblicas. Como é possível que entre estas duas repúblicas que, segundo a lei moral, deveriam estar unidas por elos fraternos e federais, tenha eclodido uma guerra por causa do Texas, e que a vontade soberana do povo americano tenha empurrado uma centena de milhas mais adiante as fronteiras naturais em razão das necessidades geográficas, comerciais e estratégicas? Bakunin censura os americanos por fazerem uma guerra de conquista que é seguramente um golpe duro na teoria fundada na justiça e na humanidade, mas que é conduzida unicamente no interesse da humanidade. É uma infelicidade se a rica Califórnia foi arrancada dos mexicanos preguiçosos que não sabiam o que fazer com ela? Se os enérgicos yankees, graças à exploração das minas de ouro daquela região, aumentam as vias de comunicação, concentram sobre a costa do Pacífico em alguns anos uma população densa e um comércio em expansão, criam grandes cidades, abrem linhas marítimas, estabelecem uma via férrea de Nova Iorque a São Francisco, abrem pela primeira vez o oceano Pacífico à civilização e pela terceira vez na história dão uma nova orientação ao comércio mundial? A independência de alguns californianos ou texanos espanhóis pode sofrer com isso, a justiça e outros princípios morais podem ser feridos: isto conta diante de tais realidades que são o domínio da história universal? (...) Excepto os poloneses, os russos, e talvez o eslavos da Turquia, nenhum povo eslavo tem futuro pela simples razão de que faltam a todos os outros eslavos as condições mais elementares - históricas, geográficas, políticas e industriais - da independência e da vitalidade.»

 

Artigo de 16 de Fevereiro 1849 (segunda parte do artigo prévio)

«Às frases sentimentais que aqui nos oferecem, em nome das nações contra-revolucionárias, nós respondemos: o ódio dos russos foi - e ainda é - a paixão revolucionária por excelência dos alemães, com a dos croatas e dos checos desde a revolução; juntamente com os poloneses e magiares, nós salvaremos a revolução por um terrorismo decidido em relação a esses povos eslavos. Sabemos agora onde se encontram os inimigos da revolução: na Rússia e nas regiões eslavas da Áustria; e não são frases ou indicações sobre um vago futuro democrático desses países que nos desviarão de tratar como inimigos nossos inimigos (...) Sim, guerra sem piedade, guerra até a morte contra o racismo eslavo traidor da revolução, guerra de extermínio e terrorismo implacável, não no interesse da Alemanha, mas no interesse da revolução.»

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