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ARESTAS

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Diário de uma activista na Palestina (2)

 

 


 

O apelo da Sociedade Civil Palestina aos povos do mundo foi feito no sentido de não nos calarmos sobre as injustiças cometidas neste canto do planeta, de não pactuarmos com o silenciamento sistemático do sofrimento e isolamento de um povo, assim como, pelo desrespeito quotidiano, tanto dos direitos humanos, como das decisões internacionais. Apesar do muro ter sido condenado, continua a ser construído.

 

A estratégia do governo israelita parece ser a de levar o povo palestino ao desgaste. A vida do quotidiano é imprevisível, é sempre uma vida adiada. Este apelo é apartidário e pacífico, é um apelo à resistência popular a que @s palestin@s já estão habituad@s, mas é uma resistência popular internacional que está a ser solicitada.

Este dia foi de «comemoração» para a Palestina pois, em 2005, o Tribunal Internacional de Haia declarou a ilegalidade do muro e dos colonatos. Pode parecer estranho falar-se em comemoração, posto que, perante as resoluções e decisões legais, o que se comemora é precisamente aquilo que a comunidade internacional é incapaz de fazer:  que os sucessivos governos de Israel cumprem as resoluções e as decisões internacionais.

 

Foram programadas uma série de manifestações. Tivemos um pequeno «breefing» antes de partir com todos os activistas do nosso grupo, uma dezena de estrangeiros que conseguiram passar no aeroporto, outros activistas e voluntários estrangeiros já presentes em Belém e Mazin,  mentor desta iniciativa da sociedade civil, onde nos foram explicados os riscos e as medidas a tomar. Quase todos os activistas se manifestaram no sentido de participar, sendo que alguns iriam participar à distância. Estávamos a pensar ir a duas manifestações, uma no Checkpoint de Qalandiya, entre Ramallah e Jerusalém, e outra em Ba'lin (Bi'lin). Estas foram as informações oficiais porque, após um longo trajecto até Ba'lin, onde nos encontrámos com mais cerca de trinta activistas estrangeiros e palestinos, o destino foi outro: An Nabi-Salih, uma aldeia isolada que fica a cerca de 15 km de Ba'lin.

 

O caminho foi bastante longo por pequenas estradas numa paisagem lunar...pedras e pó. Muito perto de An Nabi-Salih, tivemos que parar o autocarro porque avistámos soldados a impedir a passagem para a aldeia. Saímos com as nossas bandeiras e começámos a marchar em direcção aos soldados, para manifestar a nossa indignação por não nos deixarem passar até à aldeia. A uma pequena distância dos soldados, os confrontos começaram pois, apesar de nos manifestarmos pacificamente com a intenção de nos dirigirmos a Nabi-Salih com bandeiras, ao som de «Free Free Palestine», muito rapidamente os soldados dispararam gases e bombas de ruído para, por várias vezes, nos impedirem de passar para Nabi-Saleh . A sensação do gás foi terrível, pois parecia que estávamos a sufocar e caminhávamos quase a titubear com o rosto e os olhos a arder, enquanto as granadas de ruído nos ensurdeciam. Tivemos que desistir sem conseguir passar. Ficámos com o desespero de seres humanos minúsculos, injustiçados e impotentes.

 

Regressámos ao autocarro que nos transportou para, ao virar a esquina, encontrarmos mais uns camiões de soldados na estrada. Ficámos um tempo parados, esperando as ordens dos soldados para poder seguir. Esperámos uns minutos e finalmente deixaram-nos passar.

Da parte da tarde, fomos cortar a rede colocada no local para futura continuação da construção do muro. Perto de Ramallah, tivemos que actuar rapidamente e preparar-nos para correr no caso de uma intervenção dos soldados. O acto foi simbólico, pois entrámos num espaço de «no man’s land». A rede foi cortada e uma bandeira Palestina colocada.

 

Estas pequenas acções de resistência pacífica simbólicas são o quotidiano dos Palestinos. Parecem-se estranhamente com actos desesperados e sentimos no povo uma imensa tristeza.

GAP

 


 

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