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ARESTAS

ARESTAS

Noites com teatro no cinema no Teatro da Rainha

« Porque é que as pessoas do teatro nunca têm vontade de filmar os seus espectáculos para os guardar como arquivos?... O que me surpreende é a vossa profunda falta de vontade. Porque, se o quisessem já o teriam feito. Há muito que o teriam feito. E hoje em dia teríamos as peças filmadas de Pitoëff. E de outros…Enfim, foi o que fizeram Lumière e Meliès. Filmaram.”
(Jean Luc Godard, 1966)

Durante muito tempo o cinema e o teatro confrontaram-se e competiram pelo mesmo público. Cada uma destas duas artes brandindo as suas legítimas reivindicações, realçando as características próprias da sua linguagem. Há grandes incertezas quanto às origens do teatro, diz-se que teria começado na Grécia, por volta do século VI a.C, e que estava identificado com práticas religiosas e mágicas, em que se aliavam a dança, o canto e a música. Também se costuma ligar o teatro ao culto de Dionísio e aos primeiros passos da tragodia ou “canto do bode”, onde reencontramos homens mascarados de sátiros, ou de bodes, formando um coro entoando lamentos a Dionísio e onde estão presentes as noções, tanto de expiação, como de luxúria que levaram ao grande contrato da tragedia com o público: a purificação das paixões. Foi em 534 a. C. que Tespis introduziu nos festejos um espectáculo cénico. Estas manifestações do teatro grego seguiram para Roma. Na Idade Média, houve uma espécie de hibernação do teatro até século XIII. Mesmo assim a Idade Média deu lugar a uma série de expressões do teatro cómico com as farsas, mimos e arremedilhos, ao mesmo tempo que se preparava para abandonar ou ser expulso do adro da igreja.
Quanto ao cinema a sua história é muito mais próxima e beneficiou de várias descobertas e experiências assim como dos avanços das ciências ( os trabalhos sobre a visão e a persistência das imagens na retina, as inovações químicas e mecânicas). Enquanto o cinema vê a sua perenidade (quase) garantida pelo registo, o teatro, enquanto representação de um texto, persiste na efemeridade de cada espectáculo, brandindo a sua arte como um único momento, um único público, a repetição cada vez diferente de uma mesma re-presentação. O contrato que se estabelece entre os espectadores numa sala de teatro com a peça que é representada é diferente daquele que se estabelece entre os espectadores de uma sala de cinema que na escuridão assistem ao desfilar de imagens em movimento. São duas formas diferentes de conceber o espaço, o movimento inscrito nesse espaço e o tempo.
O que acontece então quando o teatro faz-se no cinema, quando o cinema vai ao teatro ou o teatro ao cinema? Por um lado, assistimos ao tão desejado registo de uma única representação. O simples registo consistindo em filmar uma representação como se o olho da câmara fosse um espectador. Mas cada espectador tem um panorama diante de si, e apesar do olhar estar mais ou menos dirigido pela presença dos actores no palco há sempre algo de específico a cada espectador que fará com que o seu olhar se dirija para um outro local sem que este esteja sugerido pela deslocação dos actores, logo uma câmara como um único olho terá de se repetir em vários olhos para poder render exactamente tudo o que o espectador presencia, árdua tarefa, tarefa que exige conhecimento e sensibilidade. Depois há o momento em que uma peça de teatro dá origem a uma criação cinematográfica, aqui há que fazer um verdadeiro trabalho de linguagem, transpor a linguagem teatral em linguagem cinematográfica, deixando mais ou menos espaço para a ligação ou para a reminiscência de um no outro.
Se as leis do teatro passam por todo um trabalho de encenação e pelo trabalho dos actores, as leis do cinema passam pela quadragem, a luz, as distâncias, a fragmentação ou recorte do texto e da acção. Se o teatro dá o corpo, o cinema produz o corpo. Se o compromisso com o teatro activa a memória de um momento fugidio, em que os sentidos são conectores temporais, o único compromisso com o cinema é momentâneo e repetível com a principal activação da visão.

(Ana da Palma, Gazeta das Caldas, 10/03/06)

The wind (William Morris)

Ah!no, no it is nothing, surely nothing at all,
Only the wild-going wind round by the garden wall,
For the dawn just now is breaking, the wind begining to fall.
Wind, wind! thou art sad, art thou kind?
Wind,wind, unhappy! thou art blind,
Yet still thou wanderest the lily-seed to find.
So I will sit, and think and think of the days gone by,
Never moving my chair for fear the dogs should cry,
Making no noise at all while the flambeau burns awry
For my chair is heavy and carved, and with sweeping green behind
It is hung, and the dragons thereon grin out in the gusts of wind;
On its folds an orange lies, with a deep gash cut in the rind.
Wind, wind! thou art sad, art thou kind?
Wind,wind, unhappy! thou art blind,
Yet still thou wanderest the lily-seed to find.
If I move my chair it will scream, and the orange will roll out far,
And the faint yelow juice ooze loke blood from a wizard's jar;
And the dogs will howl for those who went last month to the war
Wind, wind! thou art sad, art thou kind?
Wind,wind, unhappy! thou art blind,
Yet still thou wanderest the lily-seed to find.
So I will sit and think of love that is over and past,
O!so long ago - yes, I will be quiet ast last;
Whether I like it or not, a grim half slumber is cast
Over my worn old brains, that touches the roots of my heart,
And above my half-shut eyes the blue roof'gins to part,
And show the blue spring sky, till I am ready to start
From out the green-hung chair; but something keeps me still,
And I fall in a dream that I walk'd with her on this side of a hill,
Dotted - for was it not spring? - with tufts of the daffodil.
Wind, wind! thou art sad, art thou kind?
Wind,wind, unhappy! thou art blind,
Yet still thou wnaderest the lily-seed to find.
(...)

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