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ARESTAS

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Resistências

São poucas e raras as alusões e as alegorias à resistência, ou à digressão, representadas nas artes. Personagens como Antígona, ou Prometeu, que serviram de emblema para grandes causas, parecem ter tido um tempo de vida e de referência hoje em dia ultrapassado e esquecido. São personagens que se encontram mais ligadas à literatura e, principalmente, ao teatro ou à poesia. São personagens que acabam por ser pouco referidas, citadas ou representadas, porque no fundo, como no caso de Antígona, trata-se de personagens heróicas e trágicas que incomodam profundamente todas as estruturas e ordens estabelecidas. No que concerne Antígona, ela é uma personagem quase periférica e a sua actuação remete para as margens. Na mitologia grega, ela era filha de Édipo e guiou-o no final da sua vida depois de ter abandonado Tebas, mas o aspecto mais importante foi a sua desobediência às leis do seu tio Creontes, cujas consequências levaram à sua condenação e morte segundo algumas versões do mito. A história de Antígona foi contada várias vezes ao longo dos tempos, mas sempre me fascinou e fiquei feliz por ouvir citar umas das mais belas palavras de Antígona no café literário organizado pela Loja 107 e o Património Histórico sexta-feira passada, em torno do livro de João Teixeira Lopes intitulado Escola, Território e Políticas Culturais, publicado pela editora Campo da Letras. As palavras citadas encontram-se na Antígona de Annouilh e são mais ao menos (cito de memória) as seguintes: “ Moi, je veux tout et tout de suite!” ( Eu, quero tudo e agora!). Trata-se de uma impaciência que o tempo soube pouco a pouco calar em nós e é saudável haver alguém a relembrar algo que no fundo não é tão distante na História e na vida dos Homens. Como o título do livro indica, falou-se de cultura de uma forma geral, do caso de práticas culturais em Portugal, através dos exemplos citados pelo autor, e de políticas culturais públicas. À medida das intervenções do público e das respostas do autor, uma coisa ficou bem clara, não podemos falar de um autêntico projecto naquilo que diz respeito às políticas culturais do país. Assim sendo, e sabendo o que temos, fiquei com a pergunta insistente e recorrente: Será que queremos políticas culturais? Será que é realmente desejável ter políticas culturais? Elaboradas por quem? Como? Para quem? Baseadas em que dados e em que circunstâncias? De facto, poderíamos usar umas linhas orientadoras que depois teriam necessariamente de ser adaptadas, moldadas e reformuladas para cada caso ou situação, mas mesmo assim feito por quem e como? Não estou a falar de uma cultura de elite para elite, nem de uma cultura pop para as massas, pois hoje em dia, a palavra cultura excede todos os campos da vida e do conhecimento dos homens, ao ponto que tudo é/pode ser cultura. Voltando a Antígona, uma personagem (de teatro) originalmente de Sófocles, que encarna a resistência e desobediência civil, retomada na obra de Annouilh, onde ela simboliza a resistência dos franceses aos alemães durante a segunda Guerra Mundial, o que sobressai em todas as obras em que Antígona aparece, é que ela configura quase uma alegoria que remete sempre para a resistência e a desobediência. O mais fascinante nisto tudo, são os sinais que podemos apreender. Principalmente, as ligações possíveis entre a postura de Antígona e aquilo que podemos exigir no que concerne as políticas culturais. O mais difícil é sempre saber como! Mas como? Como fazer para que possamos ter um direito de palavra para um projecto de políticas culturais públicas? Aqui fariam falta as sábias palavras de Ulisses, quando diz que não gosta de repetir aquilo que já explicitou claramente... Nesta questão, que remete para um “como fazer” e que passou quase despercebida durante a sessão, o autor indicou um caminho que todos nós conhecemos e que se encontra ao nosso alcance. Trata-se da Agenda 21 Local. Isso poderia e deve ser o nosso instrumento para uma política cultural pública.
Ana da Palma, Gazeta das Caldas 7/12/07

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