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ARESTAS

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Oportunidade de emprego? Encontros mal empregados.

 

  

            Assim acabam os primeiros textos sobre este tema, com o culminar dos ENCONTROS MAL EMPREGADOS. Agradeço a leitura que por vezes possa ter sido dolorosa, ou difícil, pela própria natureza do tema. A primeira sessão destes encontros ligados ao movimento chamado MAYDAY, iniciado na Itália em 2001 e que encontrou ecos e reflexos no resto da Europa decorreu ontem (26/04/07) no auditório da ESAD às 16:00 com a projecção do filme de Stefano Oboni,  intitulado O Evangelho segundo Precário.

Amanhã, Sábado dia 28 de Abril haverá a 2ª e última sessão, com a projecção de três documentários sobre o mesmo tema, para a qual estão, desde já, TODOS convidados.

Quanto ao filme intitulado “O evangelho segundo Precário” de Stefano Oboni exibido ontem na ESAD, parece-me oportuno fazer um breve resumo do filme. Trata-se de um documentário de ficção, isto é, um documentário, porque o contrato que se estabelece entre o filme e o espectador resulta de uma reflexão, ou de levar a um pensar recheado de propostas, considerações, identificações, interrogações e propostas e “acrescentei” de ficção, porque os esboços de vida retratados foram compostos como uma história fictícia. Podemos destacar vários aspectos no documentário que servem de fio condutor para falar acerca desta praga contemporânea: a precariedade e os restantes vocábulos prefixados em –ADE de que podemos barrar profusamente a língua...sim precariedade, flexibilidade, empregabilidade...

O filme apresenta em quadros paralelos uma série de momentos das vidas de trabalhadores precários, no seu dia-a-dia íntimo e laboral. Os aspectos mais importantes que devemos realçar deste documentário remetem para três pontos essências. Primeiro a nossa inserção numa sociedade de consumo e mercado do trabalho que não escolhemos, com implicações nefastas nas relações humanas, secundo as péssimas condições de trabalho tanto no que diz respeito ao relacionamento laboral com os superiores, como à remuneração cada vez mais baixa e, por fim, a grande e ilusória burla: podemos ser mesmo bons, MAS temos de pagar por isso! Será que temos mesmo?

No meu entender, apesar do filme não ter grande qualidade nem narrativa, nem estética, apesar do título evocar um grande autor do cinema italiano, retrata contudo os perigos que implicam a abdicação, imposta pelas circunstâncias da vida laboral, da participação cidadã dos precários, isto é, qual a sua presença enquanto indivíduos na sociedade? Qual o seu empenho? Qual a sua visibilidade em termos de dignidade? Qual o seu futuro? Será que estão a ser marginalizados com um propósito? Com um determinado fim? Será que as lamúrias acerca da participação cidadã estão intimamente ligadas a esta questão do trabalho precário? Pensemos juntos! Dado que o trabalho precário, isto é, as condições oferecidas pelos contratos a prazo, os estágios, as formações profissionais em cadeia, os trabalhadores a recibo verde, não garantem nenhuma segurança em termos económicos, favorece de forma quase inevitável o afastamento da cidadania? Será que isto é desejado? Será que nos foi imposto com motivos pouco claros? Quais as consequências? Quais os possíveis motivos? O que fazer para não cair neste abismo?

Mas ainda importa discutir a sanidade e estabilidade psicológica (auto-estima, autoconfiança, segurança) dos nossos cada vez mais precários. Importa abordar a questão dos mecanismos complexos e aviltantes para os trabalhadores nas relações com os superiores, com os colegas.

Neste Sábado 28 de Abril, às 21:00 no Pópulos, serão projectadas três curtas-metragens que igualmente serão seguidas de um debate/conversa sobre o mesmo tema. Estes encontros pretendem ser um espaço de troca de vidas, informações, opiniões que possam vir a servir para alimentarmos e consolidarmos o nosso papel na sociedade, a nossa actuação enquanto cidadãos solidários e poder de algum modo dar a conhecer aos nossos governantes que estamos presentes, que queremos participar, que desejamos soluções e garantias, que queremos ser ouvidos e que os problemas suscitados pelas políticas de emprego não nos deixam algum repouso, e portanto não lhes deixaremos nenhuma hipótese de repouso.

                                                                                   

                        Ana da Palma, Gazeta das Caldas, 27/04/07

                                                                                               

 

 

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