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ARESTAS

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Não seremos nem descartáveis! Nem recicláveis! Nem sustentáveis!

 

            È urgente! Tudo o que diz respeito à vida do homem sobre a terra é urgente. Se a participação enquanto cidadão depende de alguma segurança económica e acredito que uma coisa possa ter alguma influência sobre a outra, é urgente procurar soluções. É urgente encontrarmo-nos. É urgente darmos a conhecer o que nos importa. Esta urgência tem repercussões muito vastas.

            Todos os dispositivos estão em marcha e já estão a funcionar para abafar a voz do cidadão. Dado que a participação cidadã implica o futuro e que o futuro implica o nosso espaço de vida, espaço este com prolongamentos sociais, económicos e políticos, só podemos ser activos no nosso espaço de vida estando assegurados que podemos pensar no futuro a longo prazo, que podemos construir algo de bom e belo. Parece-me que a rapidez com que tudo pode acontecer hoje em dia, a velocidade assombrosa, arrebatadora e corta fôlego das nossas vidas e das exigências que isso implica, juntamente com a visão apocalíptica tão amplamente divulgada (como o exemplo do anuncio representado por crianças, para incentivar a população a reciclar o seu lixo, onde uma menina diz que quando for grande quer viver nesta terra, como se houvesse outra para vivermos, como se desde já algures no Espaço tão cobiçado já houvesse uma terra quase prometida a uma vida utópica!) participam num ritmo infernal par alimentar uma percepção assustadora. Aquela de que pode não haver mais futuro no nosso espaço, tudo parece uma imensa cabala que apenas favorece uns quantos e acaba por eliminar a motivação, implicação e acção dos outros, no que concerne tudo o que toca o cidadão, isto é a sua participação, o seu empenho social, a sua força interior etc. 

            Isto tem que ver necessariamente com a nossa postura no mundo e a forma como podemos acarinhar o nosso espaço de vida o nosso espaço social, o nosso património, o ar que respiramos, etc. está tudo interligado e bem sabemos!

Há urgência em manifestar a nossa preocupação e desejo de autênticas reformas estruturais no que concerne a segurança do emprego e a formação. Os precários e futuros precários devem exigir direitos. Os precários e futuros precários devem exigir um dispositivo que possa controlar esta nova forma de exploração.

A precariedade instalada na nossa sociedade atinge-nos a vários níveis. Não é só uma precariedade relativa ao emprego, também é uma precariedade social e humana que alcançou um nível assustador. Pois, podemos verificar uma dessolidarização da população activa por meio das políticas de emprego e de políticas que tenderam a rotular negativamente algum tipo solidariedade e de mobilização social genuína. Isto desmembra qualquer coesão cidadã e tem como consequência a aniquilação de algum poder reivindicativo no que concerne o trabalho e o emprego. Parece que tudo se decide bem longe dos principais actores, protagonistas de um verdadeiro crescimento social e económico.

O suposto fim dos partidos (na minha opinião um fim programado com determinado objectivo, pois pensemos juntos, quem tira proveito da não, ou fraca, participação cidadã? As eleições fazem-se na mesma, as decisões são na mesma tomadas, seja com 50 ou 40 % de participação). Os partidos continuam bem vivos, dado que são eles que decidem na Assembleia tudo o que diz respeito à nossa vida. É claro que decidem tendo em conta os imperativos ligados ao crescimento económico, por isso mesmo, parece-me que a descrença nos partidos nos foi imposta. Estamos todos contra os partidos, mas ao mesmo tempo são eles que nos regem, sem eles não sei bem como seria. Esta opinião foi tão comentada que conseguiu instalar-se confortavelmente no seio das nossas sociedades. Contudo temos que saber que é muito perigosa simplesmente porque a nossa participação enquanto cidadão implica, mais ou menos, a nossa identificação com determinados ideais representados por grupos organizados. É precisamente neste ponto que tudo vacila. Por um lado, recusamos os partidos como sendo todos aos nossos olhos desprezíveis, mas, por outro lado, até a nossa participação enquanto cidadão está a ser-nos arrebatada, o nosso último folgo, aquele que ainda poderia fazer algo por nós (quando digo nós é o povo, a cidadã e cidadão, trabalhador de qualquer idade que participa na vida do País), este último sopro de vida esta a ser abafado devido a um individualismo com características específicas dado que no fundo não há individualismo real, posto que todos consumimos as mesmas coisas, todos estamos submetidos aos mesmo programas, mesmas informações e cada vez mais a uma cultura homogeneizada, esterilizada, pasteurizada: a cultura UHT.

Se as palavras estão gastas teremos de encontrar outras! Mas por enquanto também teremos de fazer com o que temos! Por isso é fundamental discutirmos acerca daquilo que rege as nossas vidas e que está em discussão no seio da Comunidade Europeia: o emprego… A Nossa “Empregabilidade”!

 

                                                                                     Ana da Palma, Gazeta das Caldas, 20/04/07

                                                                                                         

 

 

 

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