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ARESTAS

ARESTAS

DE IMMUNDO de Jean Clair (2)

(David Nebreda)

Continuação de DE IMMUNDO de Jean Clair (1)

Partindo da ideia de que a representação da vida do Homem provoca terror, como o escudo de Aquiles provoca terror nos Mirmidões, os propósitos de Jean Clair convocam o sagrado e o significado do sagrado ao longo dos tempos para dar conta da representação nos trabalhos contemporâneos. No fundo, faz sentido, se considerarmos a obra de arte como re-presentação, isto é, tornar visível algo ausente,  da vida do Homem, o Homem, o seu universo e espaço, os seus medos e a forma como esta representação estava intimamente ligada às crenças dos homens (empreguei aqui o conjunto de palavras - obra de arte -  mesmo se não me parece o termo mais apropriado quando penso nas pinturas e gravuras rupestres, apesar de ser o único possível por enquanto, pois com os nossos olhos e o nosso saber só podemos falar de Arte Rupestre,  apesar de sabermos não ter sido essa a intenção dos nossos antepassados...daí o sagrado e a crença) por outro lado, há um ponto que desejo realçar, trata-se do momento em que Jean Clair refere o horror e vai buscar aos clássicos antigos exemplos do horror, este está profundamente associado aos cabelos, pelos, líquidos, humores, os mesmos têm um significado variado e diferente quando considerados pelas religiões ( pois nos grandes livros de todas as religiões as nossas “águas” foram consideradas e classificadas, algumas sendo puras, outras sujas ) alguns humores são nobres outros não, alguns entrariam na categoria de relíquias, outros não. Depois as coisas complicam-se, pois quando o autor traz a psicanálise a tona, por um lado por esta nunca ter definido o sentimento decorrente/provocado da/pela beleza e por outro lado, evoca a infância e o desejo anal como algo de educado e controlado ao longo dos tempos no seio de uma sociedade evoluída. No meu ponto de vista, mesmo se faz sentido juntar todos os dados (principalmente no caso concreto da obra de David Nebrada faz todo o sentido), dado o conteúdo mais geral e analítico pelo qual Jean Clair tenta tecer laços para chegar a algo,  sem ser, como frequentemente demonstram ser os textos dos intelectuais franceses, um diletantismo improfícuo, teria sido mais produtivo abstrair-se de um caso particular para poder chegar, não tanto a uma solução, mas a uma ideia mais definida, mais concisa e fundamentada que possa ajudar a perceber a produção actual.

Sim, tentar tecer laços entre a representação e os tempos pós modernos é importante, assim como é importante falar do abandono, da autodestruição e do corpo do artista tal como ele pode ser visto desde o final da segunda guerra mundial, posto que foi um momento importante, um momento de grandes declarações e conceitos no que concerne toda a arte, contudo foram palavras proferidas pelos poetas e artistas que sofreram na pele e que dado o conceito de beleza posterior e que de algum modo definiram as suas criações, sentiram na pele que não havia Beleza ( Não é possível escrever um poema) possível depois de Auschwitz. Todos herdámos de uma forma mais ou menos directa, mais ou menos profunda, mais ou menos distante,  deste “pós”, do peso da memória no nosso ocidente, do peso do crime, da dor. Todos, contudo de uma maneira diferente e na minha opinião o caso  dos artistas como David Nebreda nascido em 1952, com 18 anos em 1970 é significativo não tanto considerado apenas à luz do Holocausto, mas à luz da herança e da memória do pós-guerra, à luz das mudanças sociais, à luz das catástrofes, à luz da postura caduca do ocidente face ao resto do mundo, à luz de todas as grandes preocupações, imposições, manipulações e controlos do nosso século. Acaba por estar ligado a todo um tema premente desde o anos 70, o do efémero, o do orgânico, o da impossibilidade de sobreviver neste mundo, por este mundo e com este mundo, o do caos ecológico, do caos das imagens, da propaganda publicitária, etc.

Acabei o De Immundo, depois disto chegou o momento de reflexão decantadora!

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