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ARESTAS

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Emma Goldman - O indivíduo na sociedade - Livro do mês na Casa Viva

A regeneração da humanidade não se alcançará sem a aspiração, a força energética de um ideal. Este ideal, para mim, é a anarquia, que não tem evidentemente nada a ver com a interpretação errónea que os adoradores do Estado e da autoridade têm aptidão para espalhar. Esta filosofia lança as bases de uma ordem social nova, fundada sobre as energias libertadas do indivíduo e a associação voluntária dos indivíduos libertadores. Emma Goldman

 

 

 

Uma mulher, um pensamento feminista visionário, mas não exclusivamente feminista, Emma Goldman (1869-1940) nasceu na Lituânia no seio de uma família judia com dificuldades económicas. Uma livre pensadora que viveu num período de grandes mudanças e reivindicações sociais, de ascensão de regimes fascistas e bélicos, uma mulher para quem o anarquismo era tanto um ideal político como uma filosofia de vida, emigra para os Estados Unidos em 1885 com a irmã e envolve-se nas lutas operárias. Em 1893, é condenada a um ano de prisão. Anti militarista convicta, acaba por ser deportada para a Rússia em 1917. Condenando a revolução bolchevique, deixa a Rússia em 1921. Reencontramo-la em 1936, apoiando os anarquistas da guerra civil espanhola e depois no Canadá, onde morre em Toronto, a 14 de Maio de 1940.

 

Emma Goldman desenvolveu o pensamento em torno da emancipação da mulher com base numa crítica às relações de poder, ao capitalismo, à autoridade e ao Estado, salientado o paradoxo que constituiu o movimento das chamadas «sufragettes» posto que o Estado era (e é) um prolongamento do patriarcado. Se foi influenciada pelo comunismo anarquista de Kropotkine, pela prática militante revolucionária de Baknunine, pelo mutualismo de Proudhon e pelo individualismo radical de Stirner enquadra-se no chamado «anarquismo sem adjectivos» onde se reencontram o espírito de rebelião Nietzschiano, a poética individualista romântica de autores como W. Whitman, R.W. Emerson e D.H. Thoreau e a ideia de que a formação de um indivíduo livre beneficia da Arte radical.

 

Em O indivíduo na sociedade, Emma Goldman procede a um questionamento dos tipos de governo do seu tempo, salientando a importância da construção da individualidade. Retoma ideias desenvolvidas por Kropotkine, centrando-se no indivíduo e no conceito de liberdade. Assim, cooperação e entreajuda ocorrem num panorama humanista, em que o ser é imprevisível e não obedece a modelos fictícios impostos pelos que estão no poder. Este pequeno texto é surpreendentemente actual, exceptuando alguns pontos exclusivamente relacionados com o momento histórico. Emma Goldman situa a solução para os problemas sociais num combate ideológico mundial, partindo de dois espaços que conhece bem: a Rússia e os Estados Unidos de América.

 

 

 

Jantar livro do mês na Casa Viva

Algumas citações de «O indivíduo na sociedade»

p.5 «Do combate ideológico mundial sairão soluções para os problemas sociais urgentes que se colocam actualmente (crises económicas, desemprego, guerra, desarmamento, relações internacionais, etc.). Ora, é destas soluções que dependem o bem-estar do indivíduo e o destino da sociedade humana.»

p.7: « O homem foi sempre, é necessariamente, a única fonte, o único motor de evolução e de progresso.»

« A civilização é o resultado de um combate contínuo do indivíduo ou dos agrupamentos de indivíduos contra o Estado e até contra a sociedade, isto é, contra a maioria hipnotizada pelo Estado e submetida ao seu culto.»

«Pode dizer-se que a individualidade é a consciência do indivíduo de ser o que é, e de viver esta diferença. É um aspecto inerente a todo o ser humano e um factor de desenvolvimento.»

p.8 « O homem vivo não pode ser definido; ele é fonte de toda a vida e todos os valores, ele não é uma parte disto ou daquilo; é um todo, um todo individual, um todo que evolui e se desenvolve, mas que permanece, entretanto, um todo constante.»

p.9 « O povo consente porque é convencido da necessidade da autoridade; inculcam-lhe a ideia de que o homem é mau, virulento e demasiado incompetente para saber o que é bom para si. É a ideia fundamental de qualquer governo e de toda a opressão. Deus e Estado só existem por serem apoiados por esta doutrina.»

p.10 « O Estado não é senão a sombra do homem, a sombra do seu obscurantismo, da sua ignorância e do seu medo.»

p.12 « O indivíduo é o gerador do pensamento libertador, e também do acto libertador.»

p.14-15 « O indivíduo capaz de se interessar pelo mundo inteiro, nunca se sente tão isolado, tão incapaz de partilhar os sentimentos à sua volta senão quando se encontra no seu país de origem.»

p.16: « Ele [Kropotkine ]demonstra que, ao contrário do Estado devastador e omnipotente, somente a entreajuda e a cooperação voluntária constituem os princípios básicos duma vida livre fundamentada no individualismo e na associação.»

p.19 « O poder corrompe e degrada tanto o senhor como o escravo, quer este poder esteja nas mãos do ditador, do parlamento ou do soviete.»

p.23« A regeneração da humanidade não se alcançará sem a aspiração, a força energética de um ideal. Este ideal, para mim, é a anarquia, que não tem evidentemente nada a ver com a interpretação errónea que os adoradores do Estado e da autoridade têm aptidão para espalhar. Esta filosofia lança as bases de uma ordem social nova, fundada sobre as energias libertadas do indivíduo e a associação voluntária dos indivíduos libertadores.»

 

Leituras de Emma Goldman na plataforma Moodle do Sapato 43

 

Algumas obras disponíveis online:

Anarchism and Other Essays (1910)

The social significance of modern drama (1914)
My disillusionment in Russia (1923)
My Further Disillusionment in Russia (1924)

Living my life (1931)

 

At Dawn 152

A casa é de onde se começa. À medida que envelhecemos

O mundo fica mais estranho, o padrão mais complicado
De mortos e de vivos. Não o momento intenso
Isolado, sem antes nem depois,
Mas uma vida inteira a arder em cada momento
E não a vida inteira de apenas um homem
Mas de velhas pedras que não podem ser decifradas.
Há um tempo para o anoitecer sob a luz das estrelas,
Um tempo para o anoitecer sob a luz do candeeiro
(A noite com o álbum das fotografias).
O amor é mais aproximadamente ele próprio
Quando o aqui e o agora deixam de importar.
Os homens quando velhos deviam ser exploradores
Aqui ou acolá não importa
Temos de estar quietos e quietos mover-nos
Para uma outra intensidade
Para uma ulterior união, um comungar mais fundo
Através do frio escuro e da desolação vazia,
O grito da onda, o grito do vento, as vastas águas
Da procelária e do golfinho. No meu fim está o meu começo.
T. S. ELIOT (26/9/1888- 4/1/1965)
enviado por: Livraria Poetria
www.livrariapoetria.com

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