Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

ARESTAS

ARESTAS

RECEITA DE ANO NOVO

RECEITA DE ANO NOVO

 

Para você ganhar belíssimo Ano Novo 

cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 

Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 

(mal vivido talvez ou sem sentido) 

para você ganhar um ano 

não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 

mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 

novo 

até no coração das coisas menos percebidas 

(a começar pelo seu interior) 

novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 

mas com ele se come, se passeia, 

se ama, se compreende, se trabalha, 

você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 

não precisa expedir nem receber mensagens 

( planta recebe mensagens? 

passa telegramas?) 

 

Não precisa 

fazer lista de boas intenções 

para arquivá-las na gaveta. 

Não precisa chorar arrependido 

pelas besteiras consumadas 

nem parvamente acreditar 

que por decreto de esperança 

a partir de janeiro as coisas mudem 

e seja tudo claridade, recompensa, 

justiça entre os homens e as nações, 

liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 

direitos respeitados, começando 

pelo direito augusto de viver. 

 

Para ganhar um Ano Novo 

que mereça este nome, 

você, meu caro, tem de merecê-lo, 

tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 

mas tente, experimente, consciente. 

É dentro de você que o Ano Novo 

cochila e espera desde sempre.

 

Carlos Drummond de Andrade

Divulgação: Palavras ao Alto - Leituras partilhadas na Biblioteca da CasaViva 27/12/12 às 21:30

quinta, 27 de dezembro, 21h30, entrada livre

Palavras ao Alto
Leituras partilhadas na Biblioteca da CasaViva

"Crimes Exemplares", de Max Aub

Max Aub nasceu em Paris em 1903, filho de pai alemão e de mãe francesa. Mudou-se para Valência em 1914, tendo adoptado o castelhano como língua de criação. Viveu, depois e durate 30 anos, no México, onde morreu em 1972. Novelista e dramaturgo, cultivou também a poesia e o ensaio. É autor de mais de 40 títulos, entre os quais El Laberinto Mágico e La Gallina Ciega.

Como resposta à questão "porque é que mataste aquela pessoa", o autor recolheu dezenas de confissões, ao longo de mais de 20 anos, em Espanha, França e no México. deixamo-vos uma delas para abrir o apetite:
Matei-o porque me doía a cabeça. E ele veio falar-me, sem descanso, de coisas para que eu me estava absolutamente nas tintas. É a verdade, embora elas talvez me tivessem podido interessar. Antes de o fazer olhei, ostensivamente, seis vezespara o relógio, ele não ligou nenhuma. Creio, no entanto, que é uma circunstância atenuante que deveria ser seriamente tida em conta.

TOPIAS no Gato Vadio com Alphaville

Hoje, às 21 horas no Gato Vadio (Rua do Rosário 281 - Porto) com ALPHAVILLE (1965) DE GODARD

Era uma vez um cineasta que nos disse que para fazer um filme bastava uma rapariga e uma arma. Eis a presença dos dois nesta lenda cinematográfica: uma rapariga, Natacha e uma arma, a de Lemmy Caution.

 

Entre o ensaio, o filme policial, o filme de ficção científica e o western, os géneros ecoam uns nos outros recheados de referências à literatura, mas também ao cinema. Quando chegamos a Alphaville, é num Ford Galaxy após 9 mil quilómetros, precisamente às 24h17m hora oceânica, para não esquecer a desventura de 1984 (Orwell). Entre as sombras e as luzes, o alvo é o Professor Von Braun (Leonardo Nosferatu) tecendo laços com Lang e Murnau. As palavras mecânicas, precisas e rugosas de Alpha 60 convocam Borges e Schopenhauer, mas as palavras do poeta emergem do esquecimento numa «capital da dor».

 

Godard utiliza para este filme os cenários reais de Paris, onde constam planos da “Maison de la Radio”, transformando-os aos olhos do espectador numa cidade longínqua, semelhante a uma descida aos infernos, noutra galáxia. Um espaço circular acolhe a lógica predominante, onde não há nem passado, nem futuro para esta sociedade anestesiada, mas onde apenas impera o presente. 

 

É a história da tecnocratização da sociedade – é Alpha 60 o computador que calcula os passos mais lógicos segundo os quais se constrói o rumo da sociedade e dentro da qual a espontaneidade e a imprevisibilidade do ser humano são banidas. O que é o amor, o que significa consciência? Perguntará Natacha.

 

No entanto, as ações calculadas de forma lógica tornam-se absurdas à luz da imagem humana. Alpha 60 assemelha-se a uma Esfinge que sucumbe ao desvendar de um enigma.

 

É neste ponto que Godard foca a sua mensagem principal: a ideia de que a lógica perde a sua validade num contexto social se não houver qualquer tipo de sensibilidade humana envolvida.

 

Evocando as palavras de Deleuze sobre o cineasta, apelidado de «cinema E» (E =conjunção coordenativa), o espectador é instigado a fazer a sua colagem. E podemos estabelecer um paralelo com a atualidade para quem quiser ver verdadeiramente. E «basta avançar para viver, seguir em frente na direção daqueles que amamos». E era uma vez um filme...

 

Links

ALTER

AMICI

ARGIA

BIBLIOTECAS

EDUCAÇÂO

ITEM SPECTO

VÁRIOS

Sapatos, Figas e Pedras

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2006
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2005
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2004
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D