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ARESTAS

ARESTAS

Encontros do Desejo 2

Entre a falta de  algo e  a plenitude...chegou Diotimina pela voz de Sócrates...Chegou Hipérion pela voz de Hölderlin

(...)Perdido na azul distância, ergo  muitas vezes o olhar para o éter e mergulho-o no mar sagrado, e é como se um espírito familiar me abrisse os braços, como se a dor da solidão se diluísse na vida divina. (...)
(...) E quando ficava deitado entre as flores, apanhando o sol da terna luz primaveril, olhando o sereno azul do céu que abarcava a terra quente, quando me sentava no regaço do monte, debaixo de ulmeiros e salgueiros, depois de uma chuva refrescante, quando os ramos ainda tremiam por terem sido tocados pelo céu, e sobre a floresta gotejante se deslocavam nuvens douradas, ou quando a estrela da tarde, cheia do espírito da paz, se erguia com os antigos jovens, os restantes heróis do céu, e eu desse modo via como a vida neles continuava a mover pelo éter, seguindo  uma ordem eterna, sem qualquer esforço, e o sossego do mundo me circundava e alegrava, impondo-se ao olhar e ao ouvido, sem que de mim eu tivesse consciência (...)
(...) Oh, que fosses tu apenas a ser-me eternamente presente, com tudo o que te diz respeito, semideus de luto a quem me dirijo! Aquele que tu envolves com a tua paz e a tua força, vencedor e lutador, aquele de quem vais ao encontro, com o teu amor e a tua sabedoria, que fuja ou então seja como tu! O que é vil e fraco não subsistirá ao teu lado. (...)
(...) E quando, à meia-noite, tantas vezes o coração escaldante me fazia descer ao jardim para debaixo das árvores orvalhadas, e a canção de embalar da nascente e o luar e o ar ameno me apaziguavam a mente, e as nuvens de prata se moviam tão livre e pacificamente por cima de mim, e eu ouvia, vindo de longe, o eco da voz da maré-cheia, como era amável o jogo do meu coração com todos os grandes fantasmas do seu amor! (...)

( F . Hölderlin , Hipérion , Excertos De Hipérion para Belarmino)

At Dawn 83

LISBONNE

Les tramways jaunes chantaient dans les montées du quartier d'Alfama.
Il y avait deux prisons. Dont une pour les voleurs.
Ils agitaient les mains par les grilles des fenêtres.
Ils criaient qu'ils voulaient être photographiés!

"Mais ici", me dit le receveur, ricanant comme quelqu'un qui hésite,
"c'est ici qu'on met les politiques". Je regardai la façade, la façade, la façade
et tout là-haut dans une fenêtre un homme
qui avit des jumelles devant les yeux et contemplait la mer.

Le linge séchait dans le ciel. Les murs étaient brûlants.
Les mouches déchiffraient des lettres minuscules.
Six ans plus tard, je demandai à une dame de Lisbonne:
"Était-ce donc ainsi ou bien l'ai-je rêvé?"

(Tomas Tranströmer, Baltiques, Accords et Traces, 1966.)

Encontros do Desejo 1

Uma primeira noite de Primavera, juntámo-nos para falarmos do Desejo. Fizemos uma fogueira, uma grande grande fogueira, houve pão, chouriço , azeite, azeitonas e sal. Estávamos sentados à beira do lume quando surgiu das brasas um grande animal "multiforme e policéfalo ", seguiu-se um cortejo de personagens, quase todas saídas das grandes tragédias...
De súbito o desejo de Lear de saber do amor filial, de pôr à prova alimentando uma loucura, surgiu entre páginas amarelas e gastas que se espalharam com a resposta de GONERIL :
                                        " Sir , i love you more than words can wield the matter
                                          Dearer than eye-sight , space , and liberty ;
                                          Beyond what can be valu'd, rich or rare;
                                         No less than life, with grace, health, beauty, honour,
                                         As much as child e'er lov'd, or father found;
                                         A love that makes breath poor and speech unable;
                                         Beyond all manner of so much I love you "
REGAN tornou-se quase inaudível, quando no silêncio chegou o tempo da resposta de CORDELIA:
                                        (...)
                                          And yet not so, since, I am sure, my love 's
                                           More richer than my tongue.
                                        (...)
                                           Unhappy that I am, I cannot heave
                                           My heart into my mouth: I love your majesty
                                           According to my bond; nor more nor less
                                        (...)
                                        So young, my lord, and true
                                         
                                       

Quotidiano das férias com sóis...

A desvantagem de ter dois sóis em pleno crescimento ... o tempo todo...mas durante as férias ...crescem ainda mais e o quotidiano das refeições torna-se ...quase...um pesadelo...
Regressando das aulas, a pergunta foi o que íamos almoçar...com um som e um tom de voz grave, importante...meu, claro... disse sopa.. hum ! Mas não qualquer sopa! Uma invenção de sopa de agrião e abóbora...isto é valioso! ... a invenção claro!
Mesmo assim, as manifestações foram muitas... Outra vez! Estamos fartas de sopa! Das Tuas sopas...disseram
No caminho de regresso, a Alice, um dos rebentos mais saltitantes, inventou a Batatada...com batata....batata....ervinhas invisíveis...batatas esmagadas...esmagadas....as batatas
Enquanto eu sonhava com os irlandeses, com James Joyce e a famosa vida com batatas...inventei a minha batatada...sem êxito....

Mémoria suspensa

Urge o tempo da memória suspensa...a memoria daquela mulher num “pick up truck” no meio do Petén, na selva da Guatemala, o cheiro a suor, sexo, leite e pão...a lembrança do cheiro permanece aqui...dentro...não sei porquê...era doce...era bom...trouxe e traz calor...não sei porquê.. mas tenho de saber? Bachelard evocou esta memória, evoca repetidamente esta memória que não me larga...aqui:

“ Moi Seul, dans mes souvenirs d’un autre siècle, peut ouvrir le placard profond qui garde encore, pour moi seul, l’odeur unique, l’odeur des raisins qui sèchent sur la claie. L’odeur du raisin ! Odeur limite, il faut beaucoup imaginer pour la sentir. Mais j’en ai déjà trop dit. Si je disais davantage, le lecteur n’ouvrirait pas, dans sa chambre retrouvée, l’armoire unique, l’armoire á l’odeur unique, qui signe une intimité. Pour évoquer les valeurs d’intimité, il faut, paradoxalement, induire le lecteur en état de lecture suspendue. »
Bachelard, La poétique de l’espace, Paris, PUF, 1998, p.31-32.

Lágrimas

(...)
Quel privilège de profondeur il y a dnas les rêveries de l'enfant! Heureux l'enfant qui a possédé, vraiment possédé, ses solitudes! il est bon, il est sain qu'un enfant ait ses heures d'ennui, qu'il connaisse la dialectique du jeu exagéré et des ennuis sans cause, de l'ennui pur. Dans ses mémoires, Alexandre Dumas dit qu'il était un enfant ennuyé, ennuyé jusqu'aux larmes. quand sa mère le trouvait ainsi pleurant d'ennui, elle lui disait:

- Et pourquoi Dumas pleure-t-il?
- Dumas pleure, parce que Dumas a des larmes, répondait l'enfant de six ans.
(...)
Gaston Bachelard, La poétique de l'espace

Dor

Enquanto estava descansadamente a trabalhar na linguagem ...inspirada...feliz por conseguir tecer aqueles laços para que as coisas façam sentido...chegou-me um email com este texto de Eduardo Galeano ...não resisti... aqui vai

La historia que duele

(EDUARDO GALEANO 23/03/2008)



Las clases sociales

En los primeros tiempos, tiempos de hambre, estaba la primera mujer escarbando la tierra cuando los rayos del sol la penetraron por atrás. Al rato nomás, nació una criatura.

Al dios Pachacamac no le cayó nada bien esa gentileza del sol y despedazó al recién nacido. Del muertito brotaron las primeras plantas. Los clientes se convirtieron en granos de maíz, los huesos fueron yucas, la carne se hizo papa, boniato, zapallo...

La furia del sol no se hizo esperar. Sus rayos fulminaron la costa de Perú y la dejaron seca para siempre jamás. Y la venganza culminó cuando el sol partió tres huevos sobre esos suelos.

Del huevo de oro salieron los señores.

Del huevo de plata, las señoras de los señores.

Y del huevo de cobre, los que trabajan.

Organización Internacional

del Comercio

Había que elegir al dios del comercio. Desde el trono del Olimpo, Zeus estudió a su familia. No tuvo que pensarlo mucho. Tenía que ser Hermes.

Zeus le regaló sandalias con alitas de oro y le encargó la promoción del intercambio mercantil, la firma de tratados y la salvaguarda de la libertad de comercio. Hermes, que después, en Roma, se llamó Mercurio, fue elegido porque era el que mejor mentía.

División del trabajo

Dicen que fue el rey manu quien otorgó prestigio divino a las castas de la India.

De su boca brotaron los sacerdotes. De sus brazos, los reyes y los guerreros. De sus muslos, los comerciantes. De sus pies, los siervos y los artesanos.

Y a partir de entonces se construyó la pirámide social, que en la India tiene más de tres mil pisos.

Cada cual nace donde debe nacer, para hacer lo que debe hacer. En tu cuna está tu tumba, tu origen es tu destino: tu vida es la recompensa o el castigo que merecen tus vidas anteriores, y la herencia dicta tu lugar y tu función.

El rey Manu aconsejaba corregir la mala conducta: si una persona de casta inferior escucha los versos de los libros sagrados, se le echará plomo derretido en los oídos; y si los recita, se le cortará la lengua. Estas pedagogías ya no se aplican, pero todavía quien se sale de su sitio, en el amor, en el trabajo o en lo que sea, arriesga escarmientos públicos que podrían matarlo o dejarlo más muerto que vivo.

Los sincasta, uno de cada cinco hindúes, están por debajo de los de más abajo. Los llaman intocables, porque contaminan: malditos entre los malditos, no pueden hablar con los demás, ni caminar sus caminos, ni tocar sus vasos ni sus platos. La ley los protege, la realidad los expulsa. A ellos, cualquiera los humilla; a ellas, cualquiera las viola, que ahí sí que resultan tocables las intocables.

A finales del año 2004, cuando el tsunami embistió contra las costas de la India, los intocables se ocuparon de recoger la basura y los muertos.

Como siempre.

Fundación religiosa del racismo

Noé se emborrachó celebrando la llegada del arca al monte Ararat.

Despertó incompleto. Según una de las diversas versiones de la Biblia, su hijo Cam lo había castrado mientras dormía. Y esa versión dice que Dios maldijo a Cam y a sus hijos y a los hijos de sus hijos, condenándolos a la esclavitud por los siglos de los siglos.

Pero ninguna de las diversas versiones de la Biblia dijo que Cam fuera negro. África no vendía esclavos cuando la Biblia nació, y Cam oscureció su piel mucho tiempo después. Quizá su negritud empezó a aparecer allá por los siglos XI o XII, cuando los árabes iniciaron el tráfico de esclavos desde el sur del desierto, pero seguramente Cam pasó a ser del todo negro allá por siglos XVI o XVII, cuando la esclavitud se convirtió en el gran negocio europeo.

A partir de entonces se otorgó prestigio divino y vida eterna al tráfico negrero. La razón al servicio de la religión, la religión al servicio de la opresión: como los esclavos eran negros, Cam debía ser negro. Y sus hijos, también negros, nacían para ser esclavos, porque Dios no se equivoca.

Y Cam y sus hijos y los hijos de sus hijos tendrían pelo motudo, ojos rojos y labios hinchados, andarían desnudos luciendo sus penes escandalosos, serían aficionados al robo, odiarían a sus amos, jamás dirían la verdad y dedicarían a las cosas sucias su tiempo de dormir.

Fundación científica del racismo

Raza caucásica se llama, todavía, la minoría blanca que ocupa la cúspide de las jerarquías humanas.

Así fue bautizada en 1775 por Johann Friedrich Blumenbach.

Este zoólogo creía que el Cáucaso era la cuna de la humanidad y que de allí provenían la inteligencia y la belleza. El término se sigue usando, contra toda evidencia, en nuestros días.

Blumenbach había reunido 245 cráneos que fundamentaban el derecho de los europeos a humillar a los demás.

La humanidad formaba una pirámide de cinco pisos.

Arriba, los blancos.

La pureza original había sido arruinada, pisos abajo, por las razas de piel sucia: los nativos australianos, los indios americanos, los asiáticos amarillos. Y debajo de todos, deformes por fuera y por dentro, estaban los negros africanos.

La ciencia siempre ubicaba a los negros en el sótano.

En 1863, la Sociedad Antropológica de Londres llegó a la conclusión de que los negros eran intelectualmente inferiores a los blancos, y sólo los europeos tenían la capacidad de humanizarlos y civilizarlos. Europa consagró sus mejores energías a esta noble misión, pero no tuvo suerte. Casi un siglo y medio después, en el año 2007, el estadounidense James Watson, premio Nobel de Medicina, afirmó que está científicamente demostrado que los negros siguen siendo menos inteligentes que los blancos.

Inseguridad ciudadana

La democracia griega amaba la libertad, pero vivía de sus prisioneros. Los esclavos y las esclavas labraban tierras, abrían caminos, excavaban montañas en busca de plata y de piedras, alzaban casas, tejían ropas, cosían calzados, cocinaban, lavaban, barrían, forjaban lanzas y corazas, azadas y martillos, daban placer en las fiestas y en los burdeles y criaban a los hijos de sus amos.

Un esclavo era más barato que una mula. La esclavitud, tema despreciable, rara vez aparecía en la poesía, en el teatro o en las pinturas que decoraban las vasijas y los muros. Los filósofos la ignoraban, como no fuera para confirmar que ése era el destino natural de los seres inferiores, y para encender la alarma. Cuidado con ellos, advertía Platón. Los esclavos, decía, tienen una inevitable tendencia a odiar a sus amos y sólo una constante vigilancia podrá impedir que nos asesinen a todos.

Y Aristóteles sostenía que el entrenamiento militar de los ciudadanos era imprescindible, por la inseguridad reinante.

Las agencias de noticias

Napoleón fue definitivamente derrotado por los ingleses en la batalla de Waterloo, al sur de Bruselas.

El mariscal Arthur Wellesley, duque de Wellington, se adjudicó la victoria, pero el vencedor fue el banquero Nathan Rothschild, que no disparó ni un tiro y estaba muy lejos de allí.

Rothschild operó al mando de una minúscula tropa de palomas mensajeras. Las palomas, veloces y bien amaestradas, le llevaron la noticia a Londres. Él supo antes que nadie que Napoleón había sido derrotado, pero hizo correr la voz de que la victoria francesa había sido fulminante, y despistó al mercado desprendiéndose de todo lo que fuera británico, bonos, acciones, dinero. Y en un santiamén todos lo imitaron, porque él siempre sabía lo que hacía, y a precio de basura vendieron los valores de la nación que creían vencida. Y entonces Rothschild compró. Compró todo, a cambio de nada.

Así Inglaterra triunfó en el campo de batalla y fue derrotada en la Bolsa de Valores.

El banquero Rothschild multiplicó por veinte su fortuna y se convirtió en el hombre más rico del mundo.

Algunos años después, a mediados del siglo XIX, nacieron las primeras agencias internacionales de prensa: Havas, que ahora se llama France Presse, Reuters, Associated Press...

Todas usaban palomas mensajeras.

Los campos de concentración

Cuando Namibia conquistó la independencia, en 1990, se siguió llamando Göring la principal avenida de su capital. No por Hermann, el célebre jefe nazi, sino en homenaje a su papá, Heinrich Göring, que fue uno de los autores del primer genocidio del siglo XX.

Aquel Göring, representante del imperio alemán en ese país africano, había tenido la bondad de confirmar, en 1904, la orden de exterminio dictada por el general Lothar von Trotta.

Los hereros, negros pastores, se habían alzado en rebelión. El poder colonial los expulsó a todos y advirtió que mataría a los hereros que encontrara en Namibia, hombres, mujeres o niños, armados o desarmados.

De cada cuatro hereros murieron tres. Los abatieron los cañones o los soles del desierto adonde fueron arrojados.

Los sobrevivientes de la carnicería fueron a parar a los campos de concentración, que Göring programó. Entonces, el canciller Von Bülow tuvo el honor de pronunciar por primera vez la palabra konzentrationslager.

Los campos, inspirados en el antecedente británico de África del Sur, combinaban el encierro, el trabajo forzado y la experimentación científica. Los prisioneros, que extenuaban la vida en las minas de oro y diamantes, eran también cobayos humanos para la investigación de las razas inferiores. En esos laboratorios trabajaban Theodor Mollison y Eugen Fischer, que fueron maestros de Joseph Mengele.

Mengele pudo desarrollar sus enseñanzas a partir de 1933. Ese año, Göring hijo fundó los primeros campos de concentración en Alemania, siguiendo el modelo que su papá había ensayado en África.

Las desapariciones

Miles de muertos sin sepultura deambulan por la Pampa argentina. Son los desaparecidos de la última dictadura militar.

La dictadura del general Videla aplicó en escala jamás vista la desaparición como arma de guerra. La aplicó, pero no la inventó. Un siglo antes, el general Roca había utilizado contra los indios esta obra maestra de la crueldad, que obliga a cada muerto a morir varias veces y que condena a sus queridos a volverse locos persiguiendo su sombra fugitiva.

En Argentina, como en toda América, los indios fueron los primeros desaparecidos. Desaparecieron antes de aparecer. El general Roca llamó conquista del desierto a su invasión de las tierras indígenas. La Patagonia era un espacio vacío, un reino de la nada, habitado por nadie.

Y los indios siguieron desapareciendo después. Los que se sometieron y renunciaron a la tierra y a todo fueron llamados indios reducidos: reducidos hasta desaparecer. Y los que no se sometieron y fueron vencidos a balazos y sablazos, desaparecieron convertidos en números, muertos sin nombre, en los partes militares. Y sus hijos desaparecieron también: repartidos como botín de guerra, llamados con otros nombres, vaciados de memoria, esclavitos de los asesinos de sus padres.

La democracia

En 1889 murió la democracia en Brasil.

Esa mañana, los políticos monárquicos despertaron siendo republicanos.

Un par de años después se promulgó la Constitución que implantó el voto universal. Todos podían votar, menos los analfabetos y las mujeres.

Como casi todos los brasileños eran analfabetos o mujeres, casi nadie votó.

En esa primera elección democrática, 98 de cada 100 brasileños no acudieron al llamado de las urnas.

Un poderoso hacendado del café, Prudente de Morais, fue elegido presidente de la nación. Llegó de São Pablo a Río y nadie se enteró. Nadie fue a recibirlo, nadie lo reconoció.

Ahora goza de cierta fama, por ser calle de la elegante playa de Ipanema. -

 

 

(merci Sara!)







Brevemente....Precári@s nas Caldas

 

Desde a organização do MAYDAY do ano passado, os grupos Precários Inflexíveis e FERVE não pararam de agir, reunir, dar entrevistas, recolher testemunhos e estarem atentos às irregularidades laborais. A questão da precariedade deve estar presente todos os dias para podermos saber o que é, o que se passa e como é que devemos exigir aos nossos dirigentes que se debrucem seriamente sobre este problema cada vez mais premente.

 

Devido à abrangência da precariedade, isto é, pelo facto da condição precária atingir vários sectores laborais, fazendo com que não tenha havido uma verdadeira solidariedade, um verdadeiro corpo de precários organizados, há que contemplar o facto que estamos todos ameaçados a maior ou menor prazo! Esta ameaça não é pontual, porque atinge cada vez mais trabalhadores! Esta ameaça não é inócua e não diz respeito apenas a uns quantos! Temos de deixar de pensar em termos particulares. Temos de pensar numa dimensão maior, porque isto vai envolver as gerações futuras!

 

Devemos exigir direitos que sejam justos! Devemos exigir que sejam contempladas, analisadas e resolvidas todas as questões que envolvem a Segurança Social, a Saúde, os Subsídios de férias, de Desemprego, os assuntos relativos aos compromissos laborais, sociais e fiscais das entidades patronais para com o Trabalhador e o Estado.

 

Devemos exigir um sistema de descontos na Segurança Social mais equitativo que contemple a situação laboral do trabalhador precário, isto enquanto trabalhador independente/ a recibo verde, e do agregado familiar, assim como a participação das várias entidades patronais que contratam a recibo verde.

 

Devemos exigir um aumento do limite máximo de rendimentos sem retenção na fonte, nem IVA. Pois, se fizerem contas, o limite para não estar sujeito ao IVA é de 10 000 euros por ano, contando que o ano tem 12 meses...faz 833,333333333 por mês, tirando os descontos mensais em regime obrigatório, à Segurança Social, fica 681,75€. É preciso não esquecer que há meses em que o trabalhador independente, aquele que trabalha exclusivamente a recibos verdes não tem trabalho. É preciso não esquecer a grande irregularidade de rendimentos de mês para mês, de ano para ano. No entanto, durante esse tempo, tem que continuar a descontar para a Segurança Social (190,97€ no R.A. ou 151,58 € no R.O), tem que poder alimentar-se na mesma, tem todas as contas para pagar na mesma, tem todas as despesas inerentes ao bom desempenho do seu trabalho precário.

 

Pensem em todas as subtracções necessárias a este montante máximo e limite: a quotização mensal para a Segurança Social, a renda, o gás, a água, a electricidade, os transportes e a comida… Mais! Em certos casos, há também que contar as despesas do infantário, do ATL, as despesas necessárias à educação, à saúde. Quanto fica para comer todos os dias? Depois há as despesas quase necessárias hoje em dia, como telefone, internet…Mais o facto de que os precários têm frequentemente que investir em material, carro, deslocações, um seguro obrigatório e outras despesas inerentes às funções que desempenham. Todas estas despesas estão a seu cargo, não são descontáveis, pois enquanto trabalhadores independentes no patamar inferior a 10 000 euros anuais, não estão contemplas na declaração de IRS. Alguém pode viver sozinho com alguma contenção com este montante, mas no panorama das mudanças sociais da estrutura familiar actuais, pode viver sozinho com filhos? Pode? Devemos exigir segurança na própria construção de uma vida! É importante a inclusão social dos precários! Porquê? Porque ao agravar esta situação estamos a fazer com que os nossos direitos à estabilidade e à dignidade sejam cada vez mais menosprezados, estamos a deixar que fragilizem todos os trabalhadores e com que os nossos filhos sejam futuros precários...

 

Devemos exigir direito ao subsídio de desemprego, direito a subsídios de Natal, de Férias, direito a baixa médica.

 

Devemos exigir direitos para poder alugar uma casa, pedir um empréstimo, abrir uma conta no banco...

 

Mas voltemos atrás...Será que sabem o que é um trabalhador precário? Não é alguém que não tem formação. Não é alguém que não seja competente. Não é alguém que não quer trabalho e que não queira trabalhar...pois... és TU, sou EU...são os nossos filhos!

 
 
 
 

Há que saber que o precário trabalha sempre! Sim! Todos os dias da semana, independentemente de ser feriado, ou fim de semana...Trabalha, trabalha, trabalha mesmo quando não tem trabalho, trabalha! Há que saber que o trabalhador precário não pode ficar doente, não mete baixa, porque não há baixa que lhe valha. Sabem porquê? Porque o precário vive o dia a pensar nas contas a pagar todos os meses, naquilo que vai comer no dia seguinte, ou naquilo que vai poder dar de comer à sua família no dia seguinte... Então quando não tem trabalho, isto é, umas horas aqui, outras acolá, procura ter mais horas aqui e acolá, faz projectos, faz contactos, lima e transcreve currículos, envia cartas e correios electrónicos... O Precário trabalha sempre! Mesmo! O precário não tem férias, pois não tem direito a férias, posto que, se não “trabuca não manduca”, posto que nunca sabe o que vai ser o dia, a semana, o mês seguinte. O precário não sabe de feriados, não faz ferias, não tira uns dias... Não descansa! O precário não tem tempo. Não está contemplado pelas sábias e reveladoras estatísticas do IEFP. O precário é aquilo de que todos os governos sonham! Sabem porquê? Porque não entra nas estatísticas do desemprego, logo não conta. Porque não é um encargo maior para as empresas em que desempenha funções, logo não custa nada, posto que é ele quem paga tudo. Porque a preocupação do dia de amanhã é tão insustentavelmente pesada que o precário não tem tempo para falar com os outros precários, para se organizarem, para fazerem corpo, para exigirem direitos devidos e contemplados por lei, logo não é uma ameaça para o “bom” funcionamento do Estado.

Ana da Palma

 

 

 

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