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ARESTAS

ARESTAS

Mais agudez

Cópia de inverno 041.JPG
Na rua
mulheres de vestidos roxos
romãs de azedume
desfeitas contra o azul
Ainda a capa
ainda os Outonos esbanjados nas lamas
da Primavera
ainda o corpo que resiste
São "Majas" de braços cheios de roxidão
São laços corroídos nos lencóis.
Ainda roxas lentidões espalhadas nas peles da cama
São rostos repetidos pelas ruas
É a cor de romã vazia.
É a paciência limada nas antecâmaras das Penélopes despossuídas
Há mapas de corpos contorcidos na memória dos filhos
hirtos,
ainda
Por vezes a beleza roxa
das romãs estala
no cume
Por vezes, outras pedras sísifas esmagam a pele opulenta
Por vezes, desdenham soletrar as suas vestes de plantas aquáticas
com as mãos de uma oculta mecânica
estão ainda sentadas na rigidez dos bastidores
com a rouquidão exausta de voz
deslizam
desfazem-se
Fica a cor da romã roxa

A última fuga (3)

Tanta agressividade nas palavras quase cómicas que ouvira daquela mulher tão apressada e não havia ninguém no corredor para justificar tanta pressa, tanta raiva. Não havia razão nenhuma para dar lugar a estas palavras quase obscenas. Riu-se. Sentou-se na carruagem. Abriu a sacola de tecido colorido, pôs-se a ler o jornal. Como sempre, tudo seguia um ritmo e um caminho para a perdição. Virou as páginas e leu “Sexagenário morreu no momento da sua última fuga. Um homem de sessenta anos foi encontrado morto nas escadas do prédio, onde habitou durante 35 anos quando se preparava para a sua fuga anual(...) O coração não terá resistido.”As pessoas entravam e saíam da carruagem, ao ritmo rápido de uma manhã de um dia de semana. Devagar Valentim acabou de tomar o pequeno-almoço. Levantou-se da cadeira e dirigiu-se novamente para o quarto. Sentou-se à beira da cama. Como é o meu dia de hoje? não me apetece sair da semi-penumbra do quarto. Se pudesse ficar em permanência na meia escuridão e descansar, dormir sem dormir, de olhos bem abertos, mas no silêncio mais absoluto... olhar para o tecto e encontrar aí, na brancura do tecto, alguma resposta. Azia... tanta azia, só pode ser esta terra, esta cidade de loucos, sem tempo para pousar os pés no chão, devagar, mesmo devagar. Matilde... infeliz. Se tivéssemos vivido numa pequena aldeia qualquer, ou na terra, sim, mesmo lá na terra, a vida teria sido mais feliz...riria e teria amigos, muitos amigos, como nos tempos em que andava descalço pelo campo. Tempos desaparecidos, só não os esgotam a memória. Agora esta dor latente, esta azia... um futuro... fala-se de um futuro comum no amor, algo para construir juntos. O amor... Tivemos um filho. É assim que se constrói o futuro do amor? O que é a construção de um futuro no casal? Um filho? uma casa na terra? Que sei eu do futuro. Sei que vou morrer, como toda a gente... Deve ser isso, o nosso filho é o futuro. A Matilde deve ter razão. A Matilde fala em fazer a diferença... Fazer a diferença? O que é que faz a diferença? O amor? Que aconteceu ao tempo do carinho e da ternura? Sou igual, apenas mais velho, mais gordo, mas igual. O trabalho na fábrica não era duro, apenas a rotina tornava as coisas cansativas e fastidiosas. Hoje era dia de folga, mas, mais logo, ao fim da tarde, tinha que ir fazer a limpeza em três grandes escritórios com a Matilde. Aquilo sim era trabalho, mas ganhava-se bem, podia-se telefonar à borla e sempre se trazia uns cadernos, uns lápis, lapiseiras, canetas, borrachas para o Mário, além disso tinham direito a férias com vencimento e outras pequenas regalias no Natal. Era cansativo, sobretudo para a Matilde. Tem tanta força a Matilde, nem sei onde vai buscar tanta energia. O telefone tocou. Valentim? não te esqueças de vir ter comigo ao escritório... Não, não me esqueço... Olha, não te esqueças do detergente... está no armário... Não, Matilde não me esqueço... até logo... Sim, Matilde, até logo. Levantou-se. Puxou os lençóis, bateu levemente sobre a almofada, como para sacudir um pó inexistente, ou um sono que permaneceu na fronha azul. Olhou novamente para o tecto e pareceu-lhe tão baixo, tão próximo do chão, era quase impossível respirar. Lembrou-se de uma história que lhe contara um amigo há muitos anos, onde um apartamento vai diminuindo, diminuindo tanto que já nem tem espaço para deixar viver. Pegou num pequeno saco de viagem, por cima do armário. Coloco-o na cama. Abriu-o e sentou-se a seu lado. Valentim estava a pensar em quantos pares de meias precisará, quantas cuecas, calças... Partia por pouco tempo... duas semanas eram suficientes, quiçá nem isso. Três, sim... Parecia um bom número. Três pares de meias, três cuecas, um par de calças, duas camisas e uma camisola. Arrumou as roupas no saco e saiu de casa. Fechou a porta sem saber para onde ia. Antes de sair do metro, a mulher ainda jovem passou os olhos pelo jornal e leu novamente: “Sexagenário morreu no momento da sua última fuga. Um homem de sessenta anos foi encontrado morto nas escadas do prédio, onde habitou durante 35 anos quando se preparava para a sua fuga anual (...) Valentim Moreira vivia com a sua esposa e filho, mas sofria de depressões passageiras que o levavam a fazer fugas anuais de cerca de uma a duas semanas. (...) A família e os vizinhos já estavam habituados a estes breves desaparecimentos. A polícia não vê razões para investigar o caso e os resultados da autópsia foram conclusivos. O coração não terá resistido. Fora a sua última fuga.” (Ana da Palma, Gazeta das Caldas,26/05/06)

Excertos de Paul Virilio(1)

Uma arte desapiedada
O século XX, este século desapiedado
ALBERT CAMUS
Hoje à noite, não vamos falar de piedade ou de impiedade, mas de dó, do carácter lastimoso ou desapiedado da “arte contemporânea”. Portanto, não falaremos nem da arte profana, nem da arte sacra, mas, talvez, da profanação das formas e dos corpos durante o século XX. Com efeito, hoje em dia, quando se aceita debater a pertinência ou a nulidade da arte contemporânea, esquecemo-nos geralmente de perguntar: Uma arte contemporânea, sim, mas contemporânea de quê?

Ondulas

ondulas.JPG
De novo a areia
Percebo na pele
A resistência do grão
Que é este teu grão Que me entra
Que me entranha
Vagas ondulantes do rancor que não há
Da doçura que se perdeu
Do “bom silêncio” que perdura
Da ausência que não é
Da presença que não está
Dos laços que se tecem
Das vidas des-vividas
Continua sem saber a areia

A última fuga (2)

As primeiras portas bateram. Os vizinhos estavam a sair de casa. Olhou para o relógio. Já não era sem tempo! Estão atrasados. O ruído das botas nas escadas do prédio fê-la estremecer. Sempre o mesmo! A torrente do atraso do vizinho ecoava no prédio! Um esgar nervoso deformou o canto dos seus lábios, as rugas nos cantos dos olhos e entesou o pescoço de tal modo que tudo ficou crispado. O rosto e o corpo tenso e duro, tudo espelhava raiva. Espreitou pela janela com o mesmo esgar. Depois, abriu a porta do quarto. Estava escuro, Valentim ainda dormia. Dormia sempre, como se o sono o pudesse afastar da vida. Entrou, abriu a janela com um gesto brusco, quase violento, e começou a arrumar o quarto. Valentim levantou-se, silencioso e fugiu para a casa de banho. A sua única consolação era a casa de banho. Sentou-se na sanita e pós-se a fumar em silêncio. Quando ouviu a porta de entrada a bater, saiu, dirigiu-se para a cozinha. O café ainda estava quente e havia pão fresco. Ao longe ouvia-se as vozes surdas de uma rádio. Foi reencontrada ! O quê? O quê? O quê? Não, aqui não se trata da eternidade como no poema... que se lixe a eternidade! Matilde partiu à pressa para apanhar o metro. Ao sair do prédio, encontrou a vizinha, fez-lhe sinal e acenou um bom dia com a cabeça. Não tenho tempo para ouvir, nem as suas queixas, nem as suas lamúrias, nem os seus comentários, sobre o vizinho que chega sempre as quatro da manhã. Não tenho nada a ver com isso. Cada qual com a sua vida, eu fico com a minha e já me pesa bastante. Não importa, já sei o que se passa no prédio. Já sei que o Dr. Carlos deixou a mulher e os filhos, que a Maria anda perdida de bêbada de manhã à noite e que o gato da dona Estela mija por tudo quanto é sítio. Sei lá o que se diz de mim... mas esta mulher é perigosa... é mulher para inventar umas boas mentiras. Caminhava com passos breves e rápidos. Dirigiu-se para o metro. Ao mesmo instante, uma mulher ainda jovem caminhava pela rua, passou pelo quiosque Bom dia Senhora Amélia! Bom dia menina, o jornal? Sim...Obrigada. Ainda era cedo. Havia tempo para ir para o emprego devagar e ler o jornal antes de entrar. Desceu lentamente as escadas de entrada para o metro, lendo umas linhas no livro dobrado a meio, que segurava na mão esquerda. Um ar quente com cheiro a papel, metal e café emanava do corredor a percorrer antes da bilheteira... Matilde em pé perto da porta da carruagem em que se encontrava, prestes a pisar novamente o chão com amargura. Mais um dia. Mais um entre todos os outros. É sempre a mesma coisa...trabalho, trabalho... pelo menos, eu trabalho... não é como muitos que andam aí sem fazer pela vida, não é como alguns. Mesmo assim, nem sei como será a minha reforma. Tantos jovens desempregados, tantos outros a viverem à custa dos pais, à custa da sociedade...não era eu que os alimentava não. Ai se eu pudesse! As coisas não seriam assim, não! Acabava com os subsídios, com as drogas, com as depressões... é incrível agora estão todos deprimidos, todinhos! Se trabalhassem, se fizessem pela vida, se fizessem qualquer coisa em vez de pensar que tudo lhes é devido naturalmente, as coisas não estariam assim não. Nem sei. Quiçá não seja bem assim... sei lá, é difícil dizer o que é... é como se não houvesse nada a fazer... não, não há nada a fazer...nada a fazer, está tudo estragado... Mas eu! Eu fechava as torneiras dos subsídios e punha todos a trabalharem no duro! Tem que se passar pelas coisas para saber dar o devido valor ao que se tem... o que é que se tem...o que é que eu tenho?Tira daqui as mamas! Disse ao cruzar-se com uma mulher ainda jovem com um ar entontecido de sol. Alguma vez se viu um ar destes em pleno corredor do metro! Em pleno Outono! Alguma vez! Gostaria de ter podido lhe dar um empurrão. Há jovens que precisam de ser sacudidos. A vida aprende-se assim, com sacudidelas, com agressividade. Mas, o corredor estava vazio e em vez de uma cotovelada, apenas brandiu com uma voz cavernosa tira daqui as mamas! Depois destas palavras amargas, a mulher ainda jovem continuou a caminhar pelo corredor, sem pressa. Ainda tinha tempo de passar pelo mercado, de tomar um café e de seguir para o emprego. A cada passo um sorriso crescia nos seus lábios. (Ana da Palma, Gazeta das Caldas,19/05/06) Matilde continuava as suas vociferações íntimas contra tudo e contra todos. Todas as manhãs, chegava assim, cansada de tanta raiva, ao trabalho. Punha-se a trabalhar sem parar até à hora do almoço. Depois quando regressava, mesmo a seguir ao almoço, parecia estar ainda pior.

A última fuga (1)

“Sexagenário morre no momento da sua última fuga. Um homem de sessenta anos foi encontrado morto nas escadas do prédio, onde habitou durante 35 anos, quando se preparava para sair de casa (...) O coração não terá resistido.” (Jornal da manhã)
Matilde acordou com raiva no rosto. Deitada na cama de olhos bem abertos, eram quase seis da manhã. Mais uns minutos... não, já nem são precisos aqueles minutos deliciosos, antes de sair do calor da cama... a cama permanece fria, sempre fria. Sentou-se abruptamente, pós os chinelos e levantou-se. Foi directamente à casa de banho e colocou-se diante do espelho para se pentear rapidamente. Lavou as mãos, o rosto e enfiou a roupa automaticamente. Será minha, esta cara... não me reconheço, como é possível? Este cabelo branco, esta pele, estes olhos sem luz, mas cheios de lágrimas, sem as lágrimas do choro. Vamos ver...onde está a pelada do mês passado? Matilde pegou num pequeno espelho e procurou, entre as madeixas do cabelo, com dedos decididos no couro cabeludo. Está aqui! Parece que está a diminuir, mas ainda se vê. Como é estranho esta ilhota de pele branca sem cabelos... bom, não é bem sem cabelos... estão a crescer. É meu, este pequeno buraco? Tenho um buraco de pele branca, onde alguns cabelos estão lentamente a crescer... não, não pode ser meu e no entanto, sou eu... Saiu da casa de banho. Começou, logo de manhã, a movimentar os móveis. Ligou o aspirador. Estava muito atarefada. Movimentava-se numa raivosa eficácia. Arrastava os móveis pelo chão. Ruídos agudos e surdos misturavam-se ao arranque eléctrico do aspirador que Matilde ligava e desligava à medida que deslocava uma cadeira, ou um tapete. Dirigiu-se para a janela e sacudiu um pano dum gesto brusco e violento, como se pudesse sacudir toda a sua frustração. Tanto pó! Como é possível haver tanto pó? Há anos que o seu rosto tinha perdido toda doçura. Há anos que mesmo um sorriso não podia iluminar o canto dos seus lábios, os seus olhos e esta pele, que, apesar de todos os cuidados, apesar de todos os cremes nutritivos e hidratantes, que persistia em aplicar com um certo rigor, secara de vez... sim, hidratantes dizem eles, são todos milagrosos, sobretudo quando são apresentados por uma jovem rapariga bela, rica e sorridente num ecrã de televisão... Matilde aspirava o ar do sofrimento, limpava o pó do desespero e sacudia o pó do desprezo. Tornara-se numa alma complicada sem um único momento de sossego, ou de consolo, em que se podia vislumbrar uma hipotética felicidade. Felicidade simples, há muito que já não existia. Será que chegou a existir? Anos após anos, toda uma vida alimentada de dor, sofrimento, sacrifícios, dor, sofrimento, sacrifícios, anos após anos, sucederam-se sem espaço para outros sentimentos. Uma vida a criar, inventar e resolver conflitos, cansa! Uma vida a pôr-se sempre ao lado do sofrimento, caminhando sempre, lado a lado, com a dor de algo ainda por vir, uma vida a travar batalhas. Só, sempre só e contra todos. Dividir e batalhar sobre o sentimento de algo...algo profundo, aqui nas entranhas, é certo...mas o quê? Continuava arrastando o seu cansaço. Até estoirar dizia, até estoirar. Havia no seu entendimento das coisas um limite a alcançar. Quando era? Não sabia, mas uma coisa estava segura, ia acontecer com certeza, o tempo do fim acaba sempre por chegar. Preparou um chá e pão torrado. Sentou-se à mesa. Sozinha. Em casa, todos ainda dormiam. No quarto escuro, ainda escuro, Valentim de olhos fechados respirava levemente como para não desencadear a fúria próxima da porta, esta porta ainda por abrir e a luz ainda por ferir os lençóis. Estava longe o tempo dos abraços e dos beijos que lhe dera, pensava, enquanto Matilde lutava contra o pó, como contra todos, todos os outros, o medo dos outros, todos potenciais inimigos, todos a conspirarem contra a sua maneira de sentir intransmissível, inconfundível e inalcançável. Todos os dias, Matilde acordava com o sofrimento no rosto e quando se olhava ao espelho, se não delineava as marcas da sua vida miserável, passava o dia na dolorosa labuta de reencontrá-las. Todos ainda a descansar, todos ainda no calor dos lençóis... O descanso dos outros era para ela um motivo de irritação profunda. Como podem eles dormir, quando eu estou aqui, acordada, pronta para trabalhar? A que servem as lágrimas, quando já não há nada que valha mesmo a pena de chorar? A manteiga estava dura, o pão demasiado torrado e o chá demasiado quente. Acrescentou leite frio e bebeu. Olhou para as mãos, a textura áspera e usada da pele, as rugas...tantas as rugas... levantou-se rapidamente foi buscar uma bisnaga de creme e esfregou as mãos até ficarem quase suaves, macias e lisas. Nada, não serve de nada, todas estas substâncias apenas enganam o instante em que se esfrega as mãos, depois volta tudo ao mesmo. (Ana da Palma, Gazeta das Caldas,12/05/06)

Parasita 1

cog.1.JPG
“Conheço um planeta onde vive um senhor encarniçado. Nunca respirou uma flor. Nunca observou uma estrela. Nunca amou ninguém. Sempre fez apenas adições e todo o santo dia repete como tu. “Sou um homem sério! Sou um homem sério! E enche-se de orgulho, mas não é um homem é um cogumelo!” (A. St. Exupéry)

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