«Les sociétés contemporaines se présentent ainsi comme des corps inertes traversés par de gigantesques processus de désubjectivation auxquels ne répond aucune subjectivation réelle. Delà, l’éclipse de la politique qui supposait des sujets et des identités réels (le mouvement ouvrier, la bourgeoisie, etc.) et le triomphe de l’économie, c’est-à-dire d’une pure activité de gouvernement qui ne poursuit rien d’autre que sa propre reproduction. Aussi la droite et la gauche qui se succèdent aujourd’hui pour gérer le pouvoir ont-elles bien peu de rapports avec le contexte politique d’où proviennent les termes qui les désignent. Ils nomment simplement les deux pôles (un pôle qui vise sans le moindre scrupule la désubjectivation et un pôle qui voudrait la recouvrir du masque hypocrite du bon citoyen de la démocratie) de la même machine de gouvernement.
De là surtout, l’étrange inquiétude du pouvoir au moment où il se trouve face au corps social le plus docile et le plus soumis qui soit jamais apparu dans l’histoire de l’humanité. Ce n’est que par un paradoxe apparent que le citoyen inoffensif des démocraties post-industrielles (le bloom comme on a suggéré avec efficacité de l’appeler), celui qui exécute avec zèle tout ce qu’on lui dit de faire et qui ne s’oppose pas à ce que ces gestes les plus quotidiens, ceux qui concernent sa santé, ses possibilités d’évasion comme ses activités, son alimentation comme ses désirs soient commandés et contrôlés par des dispositifs jusque dans les détails les plus infimes, que ce citoyen donc (et peut-être précisément à cause de cela) soit considéré comme un terroriste potentiel. Alors que les normes européennes imposent à tous les citoyens ces dispositifs biométriques qui développent et perfectionnent les technologies anthropométriques (depuis les empreintes digitales jusqu’aux photographies signalétiques) qui avaient été inventées au XIX siècle pour identifier les criminels récidivistes, la surveillance vidéo transforme les espaces publics de nos cités en intérieurs d’immenses prisons. Aux yeux de l’autorité (et peut-être a-t-elle raison), rien ne ressemble autant á un terroriste qu’un homme ordinaire.
Plus les dispositifs se font envahissants et disséminent leur pouvoir dans chaque secteur de notre vie, plus le gouvernement se trouve face à un élément insaisissable qui semble d’autant plus se soustraire à sa prise qu’il s’y soumet avec docilité. Cela ne signifie pas que ce dernier représente en soi un élément révolutionnaire, ni qu’il puisse arrêter ou même seulement menacer la machine gouvernementale. Au lieu de cette fin de l’histoire qu’on ne cesse d’annoncer, on assiste bien plutôt à de grands tours pour rien de la machine gouvernementale qui, dans une espèce d’invraisemblable parodie de l’oikonomia théologique, a pris sur soi l’héritage d’un gouvernement providentiel du monde. Mais, au lieu de le sauver, elle reste fidèle à la vocation eschatologique originaire de la providence et le conduit à la catastrophe.
Le problème de la profanation des dispositifs (c’est-à-dire de la restitution à l’usage commun de ce qui a été saisi et séparé en eux) n’en est que plus urgent. Ce problème ne sera jamais posé correctement tant que ceux qui s’en empareront ne seront pas capables d’intervenir aussi bien sur les processus de subjectivation que sur les dispositifs pour amener à la lumière cet Ingouvernable qui est tout à la fois le point d’origine et le point de fuite de toute politique.»
Giorgio Agamben (2007). Qu'est-ce qu'un dispositif? Paris: Payot/Rivages. (páginas 46-50)
Enquanto os resultados da «representatividade» se esbanjam nos media, mais de 300 militantes do movimento dos Indignados vindos de Ile-de-France, Toulouse, Bayonne, Marseille, Angers e Lille juntaram-se, no sábado, em Paris, para denunciar a «mascarada eleitoral».
Apelam para uma "démocratie réelle" e revelam o verdadeiro rosto da crise de legitimidade da democracia representativa.
Apelam para a organização local em assembleias populares para encontrar soluções no campo do ambiente, da saúde, da educação, da alimentação, etc..
Juntaram-se perto do centro Pompidou na Fontaine des Innocents para seguir para o Champ-de-Mars, onde pretendem permanecer até 12 de Maio organizando acções anticapitalistas e assembleias populares.
Descrição: Chefe dos polícias destacados Rua das Musas do lado do Bonjardin informa que encapuzados são «cidadãos normais» que não desejam ser identificados. Informação desmentida pela ANBP : «No entanto, de acordo com fonte do Batalhão, em momento algum terão sido informados de que iriam participar nesta acção de despejo (já que o normal, e o que se suponha, era a participação num simulacro).»
A ANBP acrescenta: «O Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais condena veementemente a utilização dos bombeiros, de forma alegadamente clandestina, para estas funções que em nada correspondem às que estão associadas à actividade dos bombeiros. Os bombeiros colocaram em risco a sua integridade física ao fazerem parte desta acção. Alguns destes elementos terão sido convocados, alegadamente, em horário extraordinário.»
Fonte: Es.Col.A da fontinha
Erguer a Voz - Resistências from Sapato43 on Vimeo.
O que deve ser dito
Porque não digo
porque calei durante tanto tempo
o que no entanto é evidente
e foi objecto de tantas simulações
em que nós, os sobreviventes,
ficamos melhor em nota de rodapé
Evoca-se o direito a um ataque preventivo,
a erradicação do povo iraniano submisso
obrigado a um regozijo sem alegria por um fala-barato,
com o pretexto de que este potentado estaria a construir uma bomba atómica.
Mas então, porque me proíbo
de nomear este outro país
que possui há anos
- é certo no maior dos segredos -
de um potencial nuclear crescente
e escapando a qualquer controlo
posto que nenhuma inspecção é permitida ?
O silêncio geral à volta deste facto conhecido
este silêncio ao qual também eu subscrevi
sinto-o como uma pesada mentira
uma regra de ouro que não pode ser quebrada
sem sofrer o risco de uma penosa e infame condenação:
a acusação de anti-semitismo tão frequente.
Mas hoje, enquanto o meu país
culpado de crimes incomparáveis
pelos quais deve prestar contas ainda e ainda
portanto, o meu país, num gesto puramente comercial
- alguns falarão precipitadamente de reparação -
vai entregar um novo submarino a Israel,
um engenho cuja especialidade é de disparar
ogivas capazes de destruir tudo o que é vivo
num sítio onde nem se provou
a existência de uma única bomba nuclear
num sítio onde a suspeita serve de prova,
digo o que deve ser dito.
Porque me calei tanto tempo?
Porque acreditava que as minhas origens
manchadas por crimes jamais perdoáveis
me proibiam de exprimir esta verdade
de ousar censurar Israel deste facto,
país de que sou e quero continuar a ser amigo.
Porque só agora, velho,
num último sopro da minha caneta, digo
que a potência nuclear de Israel
ameaça a já frágil paz mundial ?
Porque agora há que dizer
o que poderá ser demasiado tarde amanhã
e porque nós, os Alemães, com o peso do nosso passado,
podemos nos tornar os cúmplices de um crime
previsível e portanto impossível
de justificar com as desculpas habituais.
Porque não digo
porque calei durante tanto tempo
o que no entanto é evidente
e foi objecto de tantas simulações
em que nós, os sobreviventes,
ficamos melhor em nota de rodapé
Evoca-se o direito a um ataque preventivo,
a erradicação do povo iraniano submisso
obrigado a um regozijo sem alegria por um fala-barato,
com o pretexto de que este potentado estaria a construir uma bomba atómica
Mas então, porque me proíbo
de nomear este outro país
que possui há anos
- é certo no maior dos segredos -
de um potencial nuclear crescente
e escapando a qualquer controlo
posto que nenhuma inspecção é permitida?
O silêncio geral à volta deste facto conhecido
este silêncio ao qual também eu subscrevi
sinto-o como uma pesada mentira
uma regra de ouro que não pode ser quebrada
sem sofrer o risco de uma penosa e infame condenação:
a acusação de anti-semitismo tão frequente.
Mas hoje, enquanto o meu país,
culpado de crimes incomparáveis,
pelos quais deve prestar contas ainda e ainda,
portanto, o meu país, num gesto puramente comercial,
- alguns falarão precipitadamente de reparação -
vai entregar um novo submarino a Israel,
um engenho cuja especialidade é de disparar
ogivas capazes de destruir tudo o que é vivo,
num sítio onde nem se provou
a existência de uma única bomba nuclear,
mas num sítio onde a suspeita serve de prova,
digo o que deve ser dito.
Porque me calei tanto tempo ?
Porque acreditava que as minhas origens
manchadas por crimes jamais perdoáveis
me proibiam de exprimir esta verdade,
de ousar censurar Israel deste facto,
país de que sou e quero continuar a ser amigo.
Porque só agora, velho,
num último sopro da minha caneta, digo
que a potência nuclear de Israel
ameaça a já frágil paz mundial?
Porque agora há que dizer
o que poderá ser demasiado tarde amanhã
e porque nós, os Alemães, com o peso do nosso passado,
podemos nos tornar os cúmplices de um crime
previsível e portanto impossível
de justificar com as desculpas habituais.
Também devo admitir que, agora, jamais calarei,
porque estou farto da hipocrisia do Ocidente
e espero que serão muitos os que estão
prontos a libertar-se das amarras do silêncio
para apelar ao autor de uma evidente ameaça
a renunciar à violência e exigir
um controlo permanente e sem entraves
do potencial atómico israelita
e das instalações nucleares iranianas
por uma instância internacional
aceite pelos dois governos.
Só assim poderemos ajudar
os Israelitas e os Palestinos
e melhor, todos os povos,
irmãos inimigos vivendo lado a lado
nesta região ameaçada pela folia mortífera
e afinal de contas a nós próprios.
Também devo admitir que, agora, jamais calarei,
porque estou farto da hipocrisia do Ocidente
e espero que serão muitos os que estão
prontos a libertar-se das amarras do silêncio,
para apelar ao autor de uma evidente ameaça
a renunciar à violência e exigir
um controlo permanente e sem entraves
do potencial atómico israelita
e das instalações nucleares iranianas
por uma instância internacional
aceite pelos dois governos.
Só assim poderemos ajudar
os Israelitas e os Palestinos
e melhor, todos os povos
irmãos inimigos vivendo lado a lado
nesta região ameaçada pela folia mortífera
e afinal de contas a nós próprios.
(Fonte: tradução francesa de Michel Klepp de Süddeutsche Zeitung: AQUI)
Selecção de textos disponíveis em pdf
Perishable, It Said
Perishable, it said on the plastic container,
and below, in different ink,
the date to be used by, the last teaspoon consumed.
I found myself looking:
now at the back of each hand,
now inside the knees,
now turning over each foot to look at the sole.
Then at the leaves of the young tomato plants,
then at the arguing jays.
Under the wooden table and lifted stones, looking.
Coffee cups, olives, cheeses,
hunger, sorrow, fears—
these too would certainly vanish, without knowing when.
How suddenly then
the strange happiness took me,
like a man with strong hands and strong mouth,
inside that hour with its perishing perfumes and clashings.
(Jane Hirshfield)
Fonte: Knopf - Poem-a-day
Tree
All day I waited to be blown;
then someone cut me down.
I have, instead of thoughts,
uses; uses instead of feelings.
One day I’ll feel the wind again.
A moment later I’ll be gone.
(Dan Chiasson)
Fonte: Knopf - A Poem a Day
Breve descrição:
"Erguer a Voz" é uma parceria entre as associações Terra Viva! e Sapato 43, no âmbito do projecto Amigos Maiores que o Pensamento da AJA-Norte (Associação José Afonso).
O projecto Erguer a voz irá desenvolver-se até Setembro de 2012 e será finalizado por uma exposição agendada para Dezembro 2012. A exposição consistirá numa montagem de todas as vozes e outros registos de cada uma das sessões temáticas que serão realizadas em vários locais da cidade do Porto.
Finalidade:
"Erguer a Voz" pretende dar voz às pessoas tendo em conta as actuais e prementes preocupações do quotidiano, aliando momentos de convívio solidário através da poesia e da música de intervenção.
A voz dos participantes será triplamente valorizada:
- Primeiro, no momento de partilha durante as sessões temáticas.
- Segundo, pela participação nas gravações.
- Terceiro, numa exposição sonora envolvendo outros registos, outros participantes e objectos.
O objectivo de Erguer a voz é relembrar a importância das nossas vozes de onde emanam as nossas individualidades, os nossos desejos e sensibilidades e reafirmar o seu poder.
Como participar na 1º sessão: «Resistências»
1- Enviar um e-mail para sapato43.ac@gmail.com para se inscrever* (até dia 13 às 12horas)
2- Escolher/escrever/trazer o(s) poema(s), o(s) texto(s) ou a(s) canção(ões) que irá partilhar.
Para dar uma ajuda e se inspirar, pode descarregar AQUI um documento em formato pdf com exemplos de poemas/canções dentro desta temática
3- Opção especial para dia 13 de Abril: levar um objecto que esteja ligado ao tema "resistências", de modo a partilhar a história desse objecto ou para explicar de que forma ele se liga ao tema.
4- Antes de iniciar a sessão, preencher e assinar um formulário onde autoriza/não autoriza os diferentes tipos de registo (áudio e/ou fotográfico)
*IMPORTANTE!: A necessidade de confirmar a participação através da inscrição prende-se com a capacidade de acolhimento do espaço e ... dos litros de sangria a «compor»!
Que a moda pegue! ai, ai
Uma gaiola foi à procura de um pássaro.
(Kafka)
Dia 22 de Março, como todos os dias, vamos afirmar que somos Pássaros!
Somos Pássaros que negam qualquer gaiola, muito mais a imposta por esta democracia podre e bolorenta, onde floresce a ditadura dos aparelhos partidários, onde se reproduzem dinastias de políticos de profissão, onde as finanças ditam as leis, onde as decisões são tomadas à revelia de quem vão afectar.
Somos Pássaros e fazemos da política vida, porque a vida é nossa e a política mais não é do que a sua reapropriação individual e social. Ditam-nos a crise com pactos sociais. Chamam-nos para validar os pactos. Somos Pássaros, não pactuamos com gaiolas! Somos a rua e a rua somos nós.
Vamos para a rua, porque somos Pássaros e somos livres! Vamos para a rua, porque acreditamos que a força e a beleza de uma mudança se encontra nos nossos voos soberbamente diferentes, onde residem todas as promessas dos seres humanos. Vamos para a rua, porque acreditamos que a força e a beleza de uma mudança se encontra nas nossas mãos unidas, nas feições dos seus contornos suaves ou rugosos que se ajustam e complementam. Vamos para a rua, porque é na rua que está a voz e o cérebro da democracia directa!
Companheiras e Companheiros, podem querer roubar-nos os nossos legítimos direitos, podem querer tirar-nos o tempo e a vida, mas somos Pássaros, temos asas e nunca nos poderão roubar a Ideia, o sonho, a capacidade de percebermos que as decisões sobre como viver e lutar estão ligadas à sua execução.
Ocupemos as gaiolas para as destruir!
Organizemos as derrotadas gaiolas em espaços livres em Autogestão!
Devolvamos a banca onde ela pertence: o banco dos réus!
Tomemos as decisões em conjunto
Façamos da rua a nossa política!
Conferência libertária (em preparação)
Contactos provisórios:
Collectif. 1895, nº64 5b4 / automne 2011. Revue d'histoire du cinéma
Eric Van Essche (Dir.) Spéculations spéculaires - Le reflet du miroir dans l'image contemporaine. La lettre volée, 2012.
AGENDA
ALTER
AMICI
ARGIA
ITEM SPECTO
ABU-La Bibliothèque Universelle
Centre Historique des Archives Nationales Paris
The Metropolitan Museum of Art
SAPATOS TAMANHO 43
POVO
ACÇÂO
