Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010
Revisão da literatura 1

Encontrei alguns trabalhos mais próximos do que pretendo fazer...

 

ESTE, mas apesar de me ter registado não consigo ter acesso ao trabalho A estética do olhar: o ensino da fotografia sob o prisma do pensamento complexo de Nancely Cândida Vieira

ESTE Abordagens metodológicas: o pensamento complexo e os processos do fazer e do ensino nas artes visuais. Autores: Dr. Francisco Pereira Fialho - UFSC, Msc. Roseli Amado da Silva Garcia – UFSC / FIB / UCSAL

 

Quanto a este artigo apesar de me parecer estar no bom caminho, argumenta a escolha metodológica de forma demasiado próxima do texto de Morin, o único  livro citado  na bibliografia, sendo Educar para a era planetária(2003). Ao enunciar os princípios fundadores do pensamento complexo esquece-se de falar do primeiro princípio enunciado em Introduction à la pensée complexe(2005) um princípio dialógico que me parece fundamental. Este é novamente evocado em Os setes saberes para a educação do futuro(2002)



publicado por Ana da Palma às 18:59
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010
À procura do Método 5

Penso estar decidida em seguir uma teoria sistémica pela própria natureza do meu objecto de estudo.

 

Ao início os escritos de Morin inspiraram a definição do meu objecto de estudo, pouco depois verifiquei que o pensamento complexo podia inspirar o meu método. Acabo de ver que há muitos estudos em torno do pensamento complexo no Brasil, já o Professor Amilcar Martins me tinha dito isto, contudo só tive tempo de pesquisar agora. O que tenho visto aplica-se a várias áreas da eucação tais como o e-learning, a educação ambiental...

 

Agora que tenho um Método adequado ao meu objecto de estudo, a tarefa mais difícil será argumentar, justificar, explicar esta escolha e munir-me das técnicas adequadas.



publicado por Ana da Palma às 21:37
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010
À procura do Método 4- Coisas soltas

Delimitar o tema e, dentro do tema, uma área e, dentro de uma área, um problema. Recapitulo e procuro centrar e orquestrar todas as coisas.

 

Arte e Educação: Muito trabalho feito por muitos estudiosos, muitas tentativas mais ou menos proveitosas, contudo um caminho que pouco a pouco se tem construído (enfim não do modo que muitos desejavam).

 

Se assim se tem construído um caminho, será esse caminho certo?  Se esse caminho não está certo, qual será o caminho certo?

Por que razão a CE tem vindo com novos documentos em torno da educação artística?

O que trazem de novo esses documentos?

 

Apontar a importância do artista para o crescimento económico dos países europeus....Parece-me curioso, será apenas uma preocupação sã e genuína? Pois, todos somos importantes para o crescimento como um todo do pais que adoptámos e nos adoptou.

Os artistas já eram, sempre foram importantes, para o crescimento intelectual, para a capacidade de reflexão crítica de um pais e em certos caso para a economia...há uma mudança de paradigma, mas esta mudança não me parece muito clara.

 

Escreveu-se o estatuto do artista...parece-me bem em termos de protecção social e mobilidade, mas há uma coisa que me inquieta. Será que esse estatuto poderá limitar ou constranger a produção do artista àquilo que é desejável ou vendável?



publicado por Ana da Palma às 18:29
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010
À procura do Método 3

Defini o título provisório...enfim já é outro título provisório, posto que no Verão passado  tinha estipulado outro título. Penso que o título além de reflectir o assunto que trata não pode dizer tudo! Portanto o título terá de conter nele algum segredo...enfim, isto é a forma como penso, mas poderá não ser assim...

Resumi o todo em dez linhas. (enfim 11!) Gosto destes desafios das 10 linhas, pois é preciso uma grande reflexão para resumir algo complexo em dez linhas!

Tenho uma ideia esboçada quanto à apresentação de dia 23 em Lisboa...

Continuo com as minhas indagações entre palavras e imagens e a melhor ou a forma mais harmoniosa de fazer!

 

 



publicado por Ana da Palma às 17:00
link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010
À procura do Método 2

As dificuldades são acrescidas nos momentos em que o meu espírito crítico se alia a um desejo de diferença. Trava-se uma luta tremenda e violenta na minha mente.

Há coisas que por vezes me tornam extremamente crítica ao ponto de ter consciência de uma blocagem...

Isto constitui um paradoxo...por um lado sei, concebo e gosto do facto de haver um fluir dos saberes em termos de partilha de conhecimentos mundiais. O relato das experiências dos outros são importantes, contudo há sempre uma noção de espaço que me preocupa e, frequentemente, tenho a sensação que as informações que me transmitem vêm sempre do mesmo sítio... como se quisessem impor a sua importância...

 

Estou a referir-me à abundância dos documentos e reflexões produzidas nos Estados Unidos, por vezes incomoda-me, pois a dimensão e a organização do nosso pais é diferente, talvez (enfim sem dúvida para mim) mais próxima dos paises europeu...e por isso gostava que me dissessem também o que os estudiosos portugueses pensam! Não se trata de nacionalismo, nem de anti-americanismo primário...simplesmente de contexto...é claro e evidente que é bom saber o que se produz, faz noutros sítios...mas também penso ser importante saber o que se produz e faz aqui ou por aqui (na Europa).



publicado por Ana da Palma às 16:00
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010
Estado do tempo de ontem

Jorge Delmar

Espírito



publicado por Ana da Palma às 17:03
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

À procura do Método 1

Inicia-se uma nova fase, que corresponde a um momento de elaboração mais concreta da minha tese em Arte e Educação. Um trabalho começado o ano lectivo passado e que me tem levado por múltiplos caminhos. 

Tenho dificuldades evidentes com a questão da metodologia. Ironicamente...enfim para aliviar a tensão que isso cria em mim, pelo simples facto de estar consciente da minha dificuldade essencialmente por ser recalcitrante, digo para comigo que sendo o tipo de pessoa que não consegue seguir uma receita culinária é normal que isto me aconteça! Contudo, penso ser-me necessário uma medotologia, uma organização e um método que seja meu, mas que terá que obedecer à metalinguagem estabelecida e estar em harmonia com o tema que quero desenvolver.

A parte da Harmonia como uma aliança dançante é sempre algo que procuro em todos os meus trabalhos. Quando são trabalhos curtos, como ensaios ou projectos, é fácil, mas quando se trata de algo maior...é muito mais difícil conceber mentalmente o todo!

Penso no hipertexto e nas múltiplas ligações que podem estar presentes...assim cada palavra remete para um mundo... um mundo difícil de conceber mentalmente



publicado por Ana da Palma às 16:17
link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010
Uma Canção para hoje


publicado por Ana da Palma às 22:02
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009
Para 2010

 

Assim

com estrelas deslocadas

dançando

em janelas fechadas

com as cores pingando

do azul

e outras flores vindas

do imaginário

nada de preciso

nada de exacto

é mesmo assim

nem Inferno

nem Paraíso

nem Purgatório

apenas aquilo que é

ao ritmo de uma frase musical

que é a nossa melodia!

 

Boa Festa a tod@s!



publicado por Ana da Palma às 19:12
link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos
|

Literatura Infantil e mediação leitor: partilha de trabalho sobre as possibilidades da intertextualidade

Partindo de um texto francês em torno das histórias com lobos, aqui fica uma reflexão sobre a intertextualidade.



publicado por Ana da Palma às 19:10
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Filosofia das artes e da cultura: partilha de trabalho sobre Notre Musique e a Divina Comédia

Para quem estiver interessad@ na relação entre imagens e textos, aqui deixo um pequeno ensaio para partilha de saberes e desenvolver outras ideias!

 



publicado por Ana da Palma às 18:19
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009
Entre o texto de Foucault e uma abordagem às Meninas


publicado por Ana da Palma às 13:14
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Clima - Copenhaga

No Público datado de segunda-feira 7 de Dezembro 2009 - Edição Porto- a primeira página era assim:

 

Ficámos a saber que este editorial foi partilhado por 56 jornais em 44 países...no seguimento do editorial conjunto, na página 38, podemos ler uma coisa que, na verdade, me assustou bastante, isto em termos éticos e naquilo que esperamos sempre dos nossos dirigentes...« Exortamos os representantes dos 192 países reunidos em Copenhaga a não hesitarem, a não caírem em disputas, a não se acusarem mutuamente, mas sim a resgatarem uma oportunidade do maior fracasso político das últimas décadas.» Competência, lucidez, autenticidade, verdade... sublinhei as palavras que me provocaram algum desconforto, enfim...para dizer melhor! Muita indignação! Pois, ficamos com a ideia (real, autentica!) de que os representantes dos nossos países são semelhantes àquela ideia que temos...sabem? Quando se juntam várias crianças com idade inferior a 3 anos com o mesmo brinquedo e o mesmo número do mesmo brinquedo...basta um agarrar um dos brinquedos  e...todos querem o mesmo!

Pergunto-me, qual a credibilidade dos nossos dirigentes?

 

Ainda sobre este assunto, ler o Dossier no Esquerda net 



publicado por Ana da Palma às 12:39
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Leituras BAEZA (1)

 

Ficha AQUI

Continuo com as imagens...


Este livro «es ideológicamente beligerante contra los excesos de simplificación y las alteraciones de los códigos de recepción de los mensajes basados en la manipulación utilitarista de la conciencia» (BAEZA, 2003, 32). Apoiando-se no pensamento de Paul Virilio, em torno da nebulosa que não nos permite distinguir entre a imagem virtual e a imagem real e do desgaste da lógica da representação, para fundamentar a necessidade de estabelecer categorias classificadoras nas imagens da imprensa. Isto no sentido de criar uma atitude crítica e desperta.

(a continuar...)



publicado por Ana da Palma às 12:00
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009
Pensar o Museu um encontro em Serralves

O tema da primeira noite foi «O QUE PODEMOS ESPERAR DA ARTE NO SÉCULO XXI?». Hal Foster indicou logo que não era vidente...dividiu a sua apresentação em duas partes. A primeira intitulada Os contemporâneos deu-nos as palavras dos outros em torno das múltiplas perguntas que podem ler na imagem...

 

 

A seguir falou dos Precários...



publicado por Ana da Palma às 00:26
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Um encontro entre Depardon e Virilio

Na Fundação Cartier uma exposição que reune Depardon e Virilio para NATIVE LAND STOP EJECT



publicado por Ana da Palma às 00:14
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
Divulgação: Antes da dívida, temos direitos

APRE 4 movimentos juntaram-se para reclamar aquilo que é devido aos trabalhadores precários...Relembro aqui um post datado de 24 de Março sobre esta questão:

 

Lançamento de petição à Assembleia da República pelos direitos dos trabalhadores a recibos verdes nas contribuições à Segurança Social

 
 


Espaço Interpress, Lisboa :: sexta-feira, 20 de Novembro :: a partir das 21h30

 

Lançamento da petição :: Música :: Convívio :: Bancas :: Exposições ::

DJ Nuno Lopes e DJ Mute

 

Excertos do texto de 24 de Março no Arestas

 

(...)Devemos exigir direitos que sejam justos! Devemos exigir que sejam contempladas, analisadas e resolvidas todas as questões que envolvem a Segurança Social, a Saúde, os Subsídios de férias, de Desemprego, os assuntos relativos aos compromissos laborais, sociais e fiscais das entidades patronais para com o Trabalhador e o Estado.

 

Devemos exigir um sistema de descontos na Segurança Social mais equitativo que contemple a situação laboral do trabalhador precário, isto enquanto trabalhador independente/ a recibo verde, e do agregado familiar, assim como a participação das várias entidades patronais que contratam a recibo verde. (...)

Devemos exigir direito ao subsídio de desemprego, direito a subsídios de Natal, de Férias, direito a baixa médica.

 

Devemos exigir direitos para poder alugar uma casa, pedir um empréstimo, abrir uma conta no banco...



publicado por Ana da Palma às 09:09
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Roteiro Imaginário 2- Uma viagem pela leitura

A personagem deambula pela cidade ao ritmo de um dos últimos dias de Julho.
Um único dia, como numa tragédia, um último domingo resplandecente de sol que acaba pela contemplação da noite e do luar, ao som de um acordeão tocando "São tão lindos os teus olhos". Um texto circular que poderia também começar e acabar em Azeitão. A história oscila entre o sonho e o real, as lembranças e o sobrenatural. Cada cena apresenta poucas personagens que se encontram num único palco: Lisboa. Unidade e concentração correspondem de forma rigorosa às oscilações do "inconsciente'. O autor textual tem o cuidado de fazer uma pequena nota introdutória que se assemelha a um prólogo. Desta forma, é-nos apresentada a personagem principal, explicado o titulo do romance e a língua privilegiada para a sua composição:

"En tout cas, je me suis rendu compte que je ne pouvais pas écrire un Requiem dans ma propre langue, mais qu'il me fallait user d'une langue différente, une langue qui soit un lieu d'affection et de réflexion."
Agrada-me a ideia de uma língua como lugar de afecto e de reflexão. Tem sido uma pergunta e uma preocupação muito íntima. Esta questão de afecto e reflexão relembra-me as palavras de E. Jabès quando dizia que a sua língua materna era uma língua estrangeira....
E J.Derrida quando escreve " je n'ai qu'une langue, ce n'est pas la mienne." Agora é tarde e a questão da língua afastou-me do roteiro!



publicado por Ana da Palma às 00:00
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 17 de Novembro de 2009
Roteiro Imaginário 1- Uma viagem pela leitura -Notas de rodapé

Volto ao inicio do roteiro, porque há sempre algo mais a acrescentar, há sempre algo que não foi dito, mas que também não escapou. Escrevo como leio, vou e venho na escrita e na leitura. Revisito e emendo  a escrita e a leitura. É um processo sempre aberto, nunca acaba sempre começa.

Falei do “canto das sereias”, por causa de um livro de Maurice Blanchot, O livro por vir (publicado em português pela Relógio D’Água, 1984.) A primeira série de textos intitula-se precisamente:”O canto das sereias”.  

Neste ensaio, dividido em duas partes, uma intitulada ‘O encontro com o imaginário’ e a outra: ‘A experiência de Proust’, Maurice Blanchot trata da natureza do encontro com o canto das Sereias.

Para perceber o que era a natureza do encontro com o canto das Sereias, propus-me a ler, novamente, a Odisseia de Homero, na tradução portuguesa, feita por Frederico Lourenço e publicada pela editora Livros Cotovia, em 2003.

Voltando à epopeia, detive-me na profecia de Circe, no canto XII, página 200 do livro acima mencionado li o aviso de Circe a Ulisses:

 

“Às sereias chegarás em primeiro lugar, que todos

os homens enfeitiçam, que delas se aproximam.

Quem delas se acercar, insciente, e a sua voz ouvir das Sereias,

Ao lado desse homem nunca a mulher e os filhos

Estarão para se regozijarem com o seu regresso;

Mas as Sereias o enfeitiçam com seu límpido canto,

Sentadas num prado, e à sua volta estão amontoadas

Ossadas de homens decompostos e suas peles marcescentes.”

 

Fiquei impressionada com a descrição do canto límpido. Não é só a pureza do canto. Não é só a sua singularidade, pois é apenas um, apenas um canto, mas também o conhecimento associado ao canto e o feitiço que exercem as Sereias. Apercebi-me que para várias Sereias havia apenas um canto. Fiquei na dúvida quando me perguntei se eram as Sereias em si que enfeitiçavam os homens ou o seu canto ou ambos. Perguntei-me se era a falta do conhecimento da existência das Sereias e do seu canto ou o conteúdo do canto que eram perigosos ou ambos, pois o saber que elas proclamam é vasto e misterioso para o ser humano: ‘(...) sabemos todas as coisas(...)’ e este ‘todas as coisas’ tem um sigificado bem complexo no mundo grego.

 

O canto das Sereias, que podemos ler Canto XII, página 204, do mesmo livro, é o seguinte:

 

 

 

“(...) a rápida náu(...) não passou

despercebida às sereias, que entoaram o seu límpido canto:

 

                “Vem até nós, famoso Ulisses, glória maior dos Aqueus!

Pára a nau, para que nos possas ouvir! Pois nunca

Por nós passou nenhum homem na sua escura nau

Que não ouvisse primeiro o doce canto das nossas bocas;

Depois de se deleitar, prossegue caminho, já mais sabedor.

Pois nós sabemos todas as coisas que na ampla Tróia

Argivos e Troianos sofreram pela vontade dos deuses;

E sabemos todas as coisas que acontecerão na terra fértil.”

 

Novamente o canto é referido como sendo límpido e é com certeza nesta pureza que reside o aspecto não humano e a própria falha de que fala Maurice Blanchot. As sereias falam de doce canto que emana de suas bocas, falam em deleite inevitável.

Como sempre que leio Blanchot sinto-me tão próxima do alvo, tão perto do conhecimento de algo que me escapa num segundo.



publicado por Ana da Palma às 15:55
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
Roteiro Imaginário 1- Uma viagem pela leitura

O “canto das sereias”, utilizando as palavras de Maurice Blanchot, que tanto atraiu Ulisses assim como o escritor, tal como ele aparece, por vezes, no nosso mundo de etiquetagem mágica, ofereceu ao leitor consentâneo um Roteiro Imaginário, uma intricada panóplia de percursos possíveis, rede de teias, fios de Ariadne que seguimos ao ritmo da leitura. Pouco importa se o corpo se deslocou, porque o espaço imaginário é aquele que se abre, que se faz e desfaz ao desenrolar o texto. É o espaço imutável e, todavia, sempre em movimento. É cada vez semelhante ao novelo mágico que Dédalo ofertou a Ariadne, e que ela deu a Teseu em troca de uma promessa. Semeando os olhos nas páginas, as viagens cumprem-se, paulatinamente, polvilhadas de leituras. Por esta razão, Claudio Magris, citando Giorgio Bergamini, na introdução que fez ao Bréviaire Méditerranéen, abre um caminho: “Mas hoje em dia, todo verdadeiro Ulisses deve, em vez de uma camisola de marinheiro, revestir um roupão, (...), e aventurar-se na sua biblioteca, tanto ou ainda mais do que por entre ilhas perdidas; o Ulisses contemporâneo deve ser um perito do afastamento do mito e do exílio da natureza, um explorador da ausência e da deserção da vida verdadeira.” Este leva nos a reconsiderar a leitura assim como a viagem. Indicando-nos a senda fastidiosa mas, que acaba sempre por ser exaltante, que vai da secretária à biblioteca do corredor, do quarto ou à biblioteca municipal. Por vezes percorremos quilómetros antes de sair de casa. Pelos "As" das narrativas, veremos de novo o Mali de Amadou Hampaté Bâ e sonharemos com uma viagem sobre o rio Niger de Tumbuctu a Bamako. Pelos "Bs", passamos de África para a América com J.L.Borges, omitindo as leituras mais remotas para o "encontro" mais recente com Alberto Manguel. Pelos "Cs" voltaremos para a Europa com Camus e a viagem do estrangeiro dentro de si mesmo...

Uma listagem evocadora da biblioteca das narrativas longas tornar-se-ia enfadonha, apesar de poder vir a ser uma viagem pelos níveis de leitura que, noutro contexto, alguns estudiosos do Talmud codificaram no acrónimo PaRDeS. Dieppe, Etretat, Veneza, São Francisco, Trieste, Atenas, Lisboa fazem parte do Roteiro Imaginário. Todas mergulham os pés na água. Todas apareceram num espaço de preferências como um pretexto... Um "pré-texto". Aliaram-se ao espaço imaginário para justificar uma deslocação. Mesmo assim, a trasladação pertence ao domínio da ficção, por ser demasiado literária, por ser excessivamente ligada ao texto, ao autor, a um conjunto de palavras e a uma leitura que por natureza virá a ser outra... Pouco importa se é um erro. Aquele que vai analisar o texto dispõe de um leque admirável de ferramentas astuciosas, de uma metalinguagem apropriada e imprescindível que passa pelos maiores nomes dos teóricos da literatura, sempre disponíveis nas prateleiras duma biblioteca bem apetrechada em literaturas. Mas é um pecado gostosíssimo, a mais suculenta das iguarias literárias. Justificaremos a viagem pelas leituras, pois esta também virá a ser um texto.

Perseguiremos a miopia de Monet desde a "Gare du Nord" para Dieppe, a pequena desprestigiada irmã de Etretat. Andar à volta também é necessário. Imaginar, nem muito longe, nem muito perto do verdadeiro, do autêntico espaço. Assim ainda se cria. Talvez se creia que se cria. Seguiremos desde a "Gare de Lyon" para Veneza, onde sonham fantasmas, pedras, poços, pombos e um velho corvo. Entraremos pela porta das traseiras, ou seja, a estação de comboios, para não sermos demasiado obedientes ao aviso de Gustav Aschenbach. Ao longo da costa do Mar Adriático, avistaremos o cenário de um texto de Pier Paolo Pasolini e seguiremos lendo o texto até Trieste, onde a linha dos caminhos de ferro parece acabar. Persistiremos em conviver com o desassossego de Bernardo Soares, durante as frescas noites diante da estação ou com os gatos que habitam no antigo teatro romano. Não podemos esquecer de alugar um quarto numa pensão da "Via San Nicolo", para reencontrarmos James Joyce em 1915, ano da sua única comédia. Foram, com certeza, os últimos momentos de Trieste. Logo, chegaremos à Acrópole de Atenas. Desde a "Gare d'Austerlitz" o destino é sempre para Lisboa, onde o Rio e o Mar se encontram num beijo prolongado, com Fernando Pessoa e Antonio Tabucchi.

Fora Dieppe para não ser Etretat, Veneza para não ser São Francisco, Trieste para não ser Lisboa. Todavia, acabaremos por chegar a Lisboa e seguiremos os passos do narrador de Requiem. (...)



publicado por Ana da Palma às 15:49
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

ÚLTIMOS

Revisão da literatura 1

À procura do Método 5

À procura do Método 4- Co...

À procura do Método 3

À procura do Método 2

Estado do tempo de ontem

À procura do Método 1

Uma Canção para hoje

Para 2010

Literatura Infantil e med...

Filosofia das artes e da ...

Entre o texto de Foucault...

Clima - Copenhaga

Leituras BAEZA (1)

Pensar o Museu um encontr...

TAGS

africa

água

arte e educação

árvores

at dawn

censura

ciclo das peles

cidadania

cidade

cinema

coisas soltas

coisas soltas cidadania

cultura

daumier

democracia

demofolia

des-ética

desejo

distopia

ensaios

estado do tempo

exposições

fadiga

fascínios/fotografia

fermentação

flexinsegurança

frança

gaza

grão

história

imagens e textos

in-formação

intertextualidade

letras com arte

linguagem

mais terra

manutenção

memória

mistifório pelo bosque

monte da lapa

mulheres

museu

música

musica

narrativas curtas/abdel

narrativas curtas/interlúdio

narrativas curtas/lanquín

narrativas curtas/teias

narrativas curtas/última fuga

negotium

notas de leitura

novidades

romãs

sóis

solidariedade

teatro

telecracia

tradução

utopia

vida

todas as tags

GAVETAS
Creative Commons License
está licenciado sob uma licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 2.5 Portugal.